quinta-feira, março 6

Porquê?


- Que se passa?
- Não aguento mais... tenho estado o tempo todo a aguentar, mas não aguento mais.
   (...)

- Valoriza-te miúda! Tu és linda por dentro e por fora! 
- Não entendo. Porquê a mim? (...)
- (...) Não chores mais pff. 
- Porquê a mim? Porquê? Porquê?
- (...) 
- Eu sou um cabrão.


Ele não o era. Nem ele nem ninguém naquela conversa, mas foi assim que pela primeira vez na minha vida ouvi alguém admiti-lo. Houve tanta verdade naquela mentira, ou tanta mentira naquela verdade que nem sei bem no que acreditar.  Não quis acreditar em nada naquele momento, para ser sincera. Mas tranquilizou-me. Nunca o tinha ouvido da boca de ninguém na primeira pessoa do singular. Quereria ele dizer que todas as pessoas lindas por dentro e por fora que choram por alguém, é porque esse alguém é um idiota? Culpabilizara-se por todos os idiotas do planeta que me faziam estar ali naquele momento? Não sei bem. Mas obrigada. 
Bem longe ouvia a música que se difundia pelas paredes daquele cubículo onde me refugiei do mundo. Não precisava de mais nada. Além de ti, que tinhas sumido, só de chorar. A vodka circulava-me no corpo, como as lágrimas que me rolavam pela cara. A mil à hora. Os olhos fechavam-se sofregamente intervalados pela magoa de não entender que mal poderia eu ter feito a Deus. Senti-me vazia. Estúpida. Traída pela verdade. Humilhada. Sem forças. Sem norte. Sem chão. Pudera eu arrancar o coração do peito e esquartejá-lo pelo mal que me fazia naquele momento. Pelo mal que me tem feito.
Porquê a mim? Porquê? Porquê?
(...)

Patrícia Luz
7 de Março de 2013
ao som de Majestic 





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