quarta-feira, abril 23

Comunicado ás pessoas que pensam saber mais de mim do que eu própria (parte II). 

Enganam-se. 
Esta é a palavra certa para começar aquilo que tenho para vos dizer. Primeiro porque a maioria não me conhece - talvez o devessem tentar fazer primeiro -, apesar de acharem que sim. Depois, porque as entrelinhas onde me tentam muitas vezes encaixar, são o sitio onde eu vos tento encaixar a vocês. 

Não vale a pena virem tentar sugar-me as entranhas e descodificar a minha vida por entre as palavras que aqui escrevo. Sim, tu. Porque nem tudo o que parece é. E ninguém minimamente inteligente quer falar do que não quer que se saiba sabendo que as paredes têm ouvidos. Deixa-te disso. 

Deixem de se preocupar com a minha vida. Isso é sinal que a vossa não vos dá trabalho suficiente. Ela está bem de saúde e recomenda-se. Deixem as invejas mesquinhas, os filmes melodramáticos e tridimensionais que essas vossas pequenas cabecinhas fazem ao vir aqui achando que um mais um é igual a dois. Mentira. Neste meu canto um mais um dá o resultado que eu lhe quiser dar. Isto é um conselho para a vossa saúde mental.

Isto porque com sorte amanhã acordo com vontade de escrever ao meu namorado imaginário e ainda mato alguém do coração sem querer. 

Não me arranjem amores e dissabores. Fabriquem o vosso que isso é que faz falta. E já agora façam-no com alma e coração: não é com a alma num sitio e o coração no outro.  
Releiam-se em vez de me ler, porque esse é o meu propósito. 

A quem as palavras têm de encaixar não é preciso um desenho. 
A consciência pesa a quem a tem. E a esses, sim, as minhas palavras não têm contornos.

Um beijo, 
 pat


  



2 comentários:

  1. Talvez uma carta ao teu namorado imaginário que mate alguém do coração sem querer até te resolvia os problemas, no sentido de talvez levar as pessoas a compreender que às vezes até escrevemos para alguém, mas que esse alguém pode resultar de uma mistura de pessoas e coisas que nem sempre conhecemos. Não leves a mal, digo isto porque a tua situação soa-me familiar, particularmente as pessoas enganadas

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