quinta-feira, junho 26

Cafés e cafézinhos




Esta teoria dos cafézinhos é algo que me faz comichão há algum tempo. Dirão que sou uma sem paciência para a vida, uma antiquada recta sem visão das coisas; uma anti social sem gosto ou uma menininha com a mania que me torno difícil em recusar cafés. Não é nada disso, mas digam o que disserem, tirem as conclusões que tirarem, eu simplesmente não gosto de café. Nem de café  - que na maioria das vezes sobre a mesa há de tudo, menos café-, nem de cafézinhos.
E acreditem que já odiei. Volta e meia ainda tento mudar a visão das coisas, mas... ainda ninguém me fez pensar de forma diferente. Lamento.

Um dia apercebi-me da quantidade de pessoas que não conheci por recusar cafés. Rapazes, vamos ser francos. É aqui mesmo que começa esta lenga-lenga: Se os cafés servem para nos conhecermos melhor, porque é que os cafézinhos na grande maioria são propostos entre pessoas de sexos opostos? E porque é que quando isto não se verifica, quase sempre os cafés têm algo implícito?

Negócios. 
Cafézinhos são sinónimo de negócios. 

Como consegue uma chávena abarcar tantas temáticas de negócio? Pois é. Também ainda não tinha pensado muito bem nisso.

Não me venham com tretas. Não se conhece ninguém tomando cafés. É tão pobre a noção que temos de que a pessoa que se senta ali à nossa frente a falar da sua vida durante uma ou duas horas é aquilo que conta, que nem vos sei explicar em palavras o quanto acho isto rídiculo. Os cafés servem para contar aquilo que interessa a cada pessoa contar. Lá está, vamos ao encontro dos negócios. Os cafés servem para seduzir alguém. Não quero com isto dizer que na semana, ou hora, a seguir estarão a partilhar a mesma cama, apesar de eu preferir deixar aqui umas reticenciazinhas para as vossas cabeças preencherem o que me vai na alma, mas sim que este é o primeiro passo, dos seguintes, para o negócio que se encontram a praticar. 

Não tenho paciência para cafézinhos. Não tenho perfil para estar com aquela cara de pau em frente a uma pessoa que não conheço sem saber para onde olhar, a enfiar-me na chavena que por sinal nem chegou à mesa e a rezar para que não haja silêncios que me façam procurar um buraco onde me enfiar.
(Quem ler isto pensará que sou um bicho do mato - risos - mas na verdade, a quem é que isto não aconteceu?)

Eu gosto de conhecer pessoas. Gosto muito de conhecer pessoas. Não pensem que não. 
Mas o que eu gosto mesmo é de me cruzar com elas na rua e pensar que quando me cruzar de novo elas já não vão ser umas desconhecidas quaisquer que nunca vi antes. O que eu gosto mesmo é de conhecer os amigos dos amigos dos amigos e descobrir que nos fundo foram feitos para ser meus amigos também porque temos algo em comum quando em conversa cruzada num jantar de aniversário temos o primeiro contacto. O que eu gosto mesmo é de descobrir o que está por trás dos sorrisos e dos olhares e esperar que um café nos una, no mesmo espaço à mesma hora, sem nunca o termos combinado antes. O que eu gosto mesmo é de conhecer pessoas sem nunca as ter conhecido antes; sem sofrer o constrangimento de aceitar um café só porque fica bem dizer que sim - porque a maioria dos cafés que a maioria das pessoas aceitam têm este motivo.

Conhecer pessoas não é um negócio. É uma atitude. É uma atitude que a vida nos dá. 

Não o café. 
Não aceito cafés porque sim. 
Isto porque as pessoas que conheço nunca serão um negócio na minha vida. 

Patrícia Luz
27 de Junho de 2014




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