quarta-feira, outubro 15

As mulheres são todas iguais


«As mulheres hoje em dia são todas iguais: fáceis, vadias e, em maioria, fazem de nós o que querem. Uma mulher bonita tem a faca e o queijo na mão.»

Perdi a conta às vezes que ouvi esta conversa sair da boca de homens de quem gosto muito. Uns perdidos de amores por aquela que tinha tudo para ser sua mulher para a eternidade, mas que deixaram escapar para o tipo com pinta que joga a bola e todas querem disputar como se fosse a última coca-cola do deserto («eras minha»), outros porque coleccionaram mulheres quando apenas queriam uma a seu lado e essa não lhes liga pra tavina («se fosses minha»); aqueles que andam sem norte à terra («só queria que alguém fosse minha (por isso podem ser todas minha)») e depois os outros, que têm a mulher certa ao seu lado, mas cujas antenas andam sempre no ar a ver com quem se podem desculpar com o «eu nem queria, mas um homem não é de ferro». E claro está... são todas iguais. Somos todas iguais.

Concordei imensas vezes com eles. Já não é a primeira vez que digo que nós não somos santas nenhumas. Assim como vocês não o são igualmente. É a espécie humana a vingar-se de si própria. Não são as mulheres; nem são os homens. Somos nós. Como um todo. 

Porque fáceis gostavam vocês que nós fossemos. Nós não. A única mulher que vocês querem. E por não conseguirem essa e terem outras é que somos todas iguais, todas fáceis. 

Isto porque se eu gostar de ti, apesar de não me oferecer de bandeja, te vir a ganhar asas e a fugir para o outro lado do planeta - apesar de ter a plena noção de que esse é um sinal de que não vales a pena -, sim, eu vou ser fácil. Eu vou querer ter-te aqui pertinho. Sim, vou fazer trinta por uma linha todos os dias para te lembrares que existo e que faço falta na tua vida. Vou fazer-te convites indecentes e esperar que aceites. Sim, vou ser fácil. Porque gosto de ti.
Mas e tu ? És igual; se a mulher que tu queres muito estalar os dedos e te chamar para junto dela, tu não vais de bandeja, mas vais fácil. Se ela te convidar para aquilo que pensas fazer à séculos, na tua cabeça vais ser difícil, mas não por muito tempo. E sabes porquê?

Porque somos todos fáceis se gostarmos uns dos outros. 

A verdade é que é isso que não tem vindo a acontecer. As facilidades transformaram-se no toma-lá-dá-cá e vai-te embora que se faz tarde. As pessoas deixam todos os dias fugir quem fez fermentar o sangue nas veias durante anos, em busca de minutos de paragens cardíacas que não as levam a lado nenhum. A não ser à morte. À morte do amor fiel. À morte da confiança entre elas. 

Ao nascimento dos desgostos, 
e dos novos fáceis, 

que são aqueles que já não acreditam em nada a não ser no lamento por todas as mulheres difíceis que deixaram fugir - que em boa altura também elas foram fáceis, mas porque ambos gostavam um do outro, ninguém notou. 

Porque quando não dá certo, tudo parece mais difícil. E o problema é esse: poucas coisas têm vindo a dar certo. 

Patrícia Luz
15 de Outubro de 2014 




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3 comentários:

  1. lindo, sem duvida !

    http://mysugarnails.blogspot.pt

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  2. Bonito , quase concordava . É minha convicção que no jogo da vida o "ter" é uma situação fortuita , de gula, de satisfação momentânea e de um cinismo que esgota em si mesmo . Amores mal resolvidos são uma questão de sorte (má sorte ) , o mundo continua . Amar é bom , tem uma dimensão que ultrapassa o fácil ou o difícil . Sem querer ser "piroso " ou masoquista direi que sem abnegação, coragem ,solidariedade , pode haver entretenimento , deslumbramento e até paixão mas .... isso é o mais fácil.

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