terça-feira, dezembro 16

Página solta


«Respect yourself enough to walk away from anything that no longer serves you, grows you, or makes you happy.»


Se há coisa que eu tenho a agradecer a quem me tem feito mal é isto. 


- Ele traiu-me n vezes (...) 
- E dizes isso assim, a sorrir? 
- Direi-o sempre assim. Porque eu nunca perdi nada.

Sentia-me óptima. 
No dia em que o disse a sorrir já não se notavam as olheiras, escondidas ao longo dos últimos tempos pelo corrector de imagem que poucos desconfiavam existir naquele rosto modesto a quem a vida parecia correr sempre bem. Só a noite é guardiã dos segredos de uma mulher. E talvez só ela saiba em quantas perdi a mascara, que caia quando finalmente ninguém lá estava para julgar se as lágrimas eram mais ou menos transparentes. Nem eu sei que cor teriam, mas eram de fel.    
  
Sorrio cada vez que me lembro. Mesmo nos dias tristes.
O tempo passa e as mágoas também. O ego constrói-se de novo e a vida continua. 
É ... a vida continua mesmo. Mesmo que nesse momento aches que a luz ao fundo do túnel tirou férias para sempre. Lembro-me de pensar assim.

Foi exactamente no dia em que olhei para trás a sorrir que descobri que existem idiotas neste planeta. Não que eu fosse a última bolacha do pacote. Mas por perceber que «a vida é pequena demais para perdermos tempo a gastar energias em algo que não envolva amor*», e de certo que energias gastava ele mas não a fazer amor comigo. 

Dois anos depois agradeço-lhe. 

Aprendi que a vida se encarrega de abanar a árvore quando é preciso deixar os podres cair. E que depois disso, há uma nova primavera à nossa espera, com flores e frutos, doces o suficiente para nos perdermos de amor e errarmos de novo. 

Patrícia Luz
17 de Dezembro 2014
* Pedro Chagas Freitas




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