sexta-feira, dezembro 5

«Porto Sentido»

6 de dezembro de 2014
1.46 a.m 

Falar do Porto é não ter palavras. 
Cheguei a essa conclusão quando pela terceira vez que aqui me sento não consigo passar cá para fora mais do que as imagens que me ocorrem momentaneamente na cabeça ao olhar esta tela branca.

Descrever o Porto é limitá-lo. E se há coisa que não tem limite é o sentimento que nutrimos por algo de que gostamos muito. Não é? 

É por isso difícil dizer-vos em palavras o quanto nos sentimos pequeninos junto aos aliados, sem vos pedir que olhem à vossa volta e se percam na arquitectura detalhada no granito imponente daquela praça. 

É difícil dizer-vos que tocar o céu poderia ser subir a torre dos clérigos e que é possível sentirem-se a levitar se olharem a ponte de D. Luís de cima para baixo e a imaginarem a fugir-vos dos pés. 

É difícil descrever-vos o azul do Douro, porque ele não é só azul; ele é as casinhas coloridas da ribeira reflectidas, as gondolas castanhas carregadas de pipas e os candeeiros amarelos na noite cerrada. 

É difícil descrever-vos em palavras o cheiro das manhãs douradas, as cores das folhas dos plátanos caídas no chão. A paz dos jardins pela cidade espalhados.

 O mar. O beijo do mar. 

É difícil dizer-vos a que sabe o Porto, sem vos meter um copo e um prato na mão e fazer-vos engordar de satisfação. 

É difícil fazer-vos acreditar que frio é apenas o que sentem à superfície do corpo. E que a sensação de termostato avariado existe mesmo quando abrem a boca para falar com alguém na rua. 
Por muito que a vossa boca fumegue de frio, o vosso coração vai estar quente e a vossa alma cheia. Porque quando isso acontecer a pessoa a quem se dirigiram já tirou o casaco e vos embrulhou de simpatia e predisposição para fazerem da sua a vossa casa.  

É difícil dizer-vos em palavras que a magia existe. 
Mas se perderem uma noite com alguém que canta convosco Rui Veloso em tom desafinado para as estrelas ouvirem, enquanto deixam Vila Nova de Gaia para trás das costas e aquecem as mãos nos bolsos dos casacos, vão ver que o Porto permite que todas as pessoas se tornem mágicas. 

É difícil dizer-vos em palavras que os homens do Porto têm charme. Que não são uns pintas, como os Lisboetas empresários que vagueiam pelas ruas de cara fechada e olhos no chão (não querendo generalizar).
Os homens do porto têm charme porque andam aos pares pelas ruas, num andar despreocupado de quem nada tem a perder. 

Os homens do porto olham-te nos olhos e sorriem. E mesmo que mais nada digam, tu ganhas o dia mil vezes ao dia e és feliz sem o seres. Mas isto é suspeito. Talvez seja porque tenho uma tara por homens de fato, sobretudo e cachecóis, e digamos que o frio do norte os põe em vantagem.

Falar-vos do Porto é uma perda de tempo. 
É quase como falar de amor sem o pôr em prática. Ter a mulher da nossa vida do outro lado do mundo e estar acomodado do lado de cá sem decidir dar corda aos sapatos. Ou simplesmente acreditar que o tempo cura tudo quando não te atreves a ter medo e ir com medo mesmo. 


Viver o Porto é outra conversa.
E se é difícil dizê-lo em palavras, de corpo e alma foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. 

Patrícia Luz























Ficam os meus agradecimentos aos Hotéis Real por me proporcionarem a realização de um dos meus grandes desejos para 2014, especialmente por ter sido na melhor das companhias (!!) e de forma tão inesperada! Obrigada. Obrigada. Obrigada!

E ao Flávio - porque ele me obrigou a escrever isto, claro - pelos serões e por me apresentar a Matosinhos, a Leça e à Foz. Já somos todos amigos! eheh (espero que depois desta frase não cortemos relações).


P.S. Porque é mesmo difícil, peguem em vocês e vão até lá comprovar tudo o que tentei dizer.

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