quinta-feira, janeiro 29

Mulheres Bonitas

As mulheres bonitas sofrem. É verdade. Elas também são de carne e osso e tem coração a palpitar debaixo da pele, caso ainda não tenham reparado. Caso nunca tenham pensado realmente nisso. As mulheres bonitas também têm dores no coração, no trabalho e na vida. 
Ser bonita não é equivalente a ser de ferro e nem por isso tudo o que brilha é ouro, já dizia o ditado. 

Ser bonita dá chatices. Dá amarguras e desilusões. As pessoas tem a tendência a associar a palavra facilidade à beleza alheia. E se há coisa que não é fácil é ser-se agradável à vista. 

Ridículo não?

Não.

As raparigas bonitas nunca tem razões para estar tristes. Muito menos para se lamentar por não terem o homem com que sonham, quanto mais o facto de não terem um homem. Ser solteira será sempre uma opção delas. Nunca uma falta de sorte ou do homem certo. Não há trabalho que lhes escape, especialmente se o patrão for homem e tiver um fetiche por olhos claros e cabelos louros. Terem um curso superior não faz delas inteligentes nestes casos; as más línguas nunca terão em atenção o seu currículo para valorizar o seu trabalho. Estar desempregada é falta de vontade para trabalhar. Elas não choram, não se desiludem e quase sempre têm alguém com quem tomar café ou a quem mandar mensagem. O telefone delas toca a toda a hora. Mesmo que não toque. A cama nunca está vazia. Mesmo que ela trema de frio todas as noites. As saudades não existem. O amor é um estalar de dedos. E fidelidade é regra que não lhes assiste. São umas menininhas da moda que na primeira impressão quase nunca são humildes e as outras mulheres, as menos bonitas e as tão bonitas quanto elas, vão ter sempre a mínima razão para apontar o dedo e abrir a boca da inveja a tudo o que elas enaltecerem de melhor.  Os rapazes que gostam realmente dela, nunca querem realmente gostar. E os filhos da mãe que a tratam a baixo de cão vão quase sempre ter a sorte de a ter, mas só porque é bonita e dá que falar no balneário do desporto da moda. Mulheres bonitas não são de confiança. Metem medo. Medo a quem nunca as quer perder.  

Poucos sabem. Poucos sabem que as mulheres bonitas o suficiente para o ser de verdade, quase sempre são rotuladas pelo sorriso que não têm. Pela felicidade que a beleza não compra. Pela mensagens que não chegam. Pelas saudades que não matam. Mas que as matam a elas. Pelo proveito que não tem da fama que lhe dão.

As mulheres bonitas choram. Têm azares na vida. E ficam doentes. 

Porque mais do que belas, são pessoas. 
E têm sentimentos.

Patrícia Luz
30 de Janeiro

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quarta-feira, janeiro 28

100 000!

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Estou tão feliz por vos agradecer as cem mil visitas alcançadas hoje no blogue como quando chega a altura de ir para a casa da praia e permanecer lá sem horas nem minutos.

Podem ser só números que não interessam a ninguém, mas é o único sinal de que escrevo para alguém e só por si valem muito. Obrigada a todos os que directa ou indirectamente entraram na minha vida assim. Em especial àqueles que me escrevem, mesmo que em anónimo, porque mudam os meus dias cada vez que o fazem. 

Um grande beijinho de coração, 

Patrícia Luz

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terça-feira, janeiro 27

Um dia o pano cai


«Não precisamos apagar a luz do próximo para que a nossa brilhe.» Mahatma Gandhi


Assistimos a um espectáculo que deixou de ter palco e plateia para passar apenas a ter actores. Actores das próprias vidas.
 Chego a perguntar-me com que sentimento se deitam todos os dias. Se alguma vez deixam cair a máscara e se se olham ao espelho. Se sabem realmente quem são e de onde vieram. Se choram pelas próprias tristezas, ou se apenas festejam o inglório infortúnio alheio com gargalhadas que os levam às lágrimas. Se sabem o que é o amor. A amizade. O respeito.  
Vejo infelicidade e alter-egos a mais dissimulados em pessoas vazias de si, mas cheias do que não são. Vejo deslealdade e caminhos demasiado atalhados para sucessos rápidos e esforços mínimos. Como não seria de esperar. Vejo uma sociedade desnutrida.
 A confiança perdeu pontos para as traições repetidas. E o amor ao próximo, foi à falência quando descobriu a carga que era caminhar na incerteza. 
Depois de perceber que havia mais actores do que encenadores, mais holofotes do que palmas,mais cenários do que palcos, sentei-me a observar. 

Um dia o pano cai.

Que haja alguém para contar a história.

Patrícia Luz

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segunda-feira, janeiro 26

Um dia vou escrever





Um dia vou escrever para ti. Vou deixar-te mais do que um bilhete e vomitar palavras que podiam ser anos de conversa a teu lado. Vou escrever-te para te ter por momentos. Para te explicar o que não tem explicação. Para tentar pelo menos. Para saberes tudo o que não sabes. O que não sonhas. Um dia vou escrever-te porque sim. Vou dizer-te como tremi no primeiro dia em que te vi, e no segundo, e sempre que te vejo. Como é ser forte de todas essas vezes. Um dia vou escrever para ti sobre o valor das coisas, das pessoas e das mulheres. Sobre os teus defeitos e manias. Sobre tudo o que odeio em ti. Vou responder aos sms que te enviei e aos quais não obtive resposta. Vou mostrar-te como o silêncio responde a mil perguntas sem parecer mal o suficiente para de odiar. E te esquecer. Vou escrever-te para me libertar de ti. Para te agradecer o que me ensinaste. O teu abraço. Pelas borboletas na barriga e arrepios de estomago. Ou talvez por nada.  
Vou escrever-te para saberes que ainda me lembro de ti. Vou escrever-te no dia em que as respostas te faltarem. E talvez o silêncio te consuma por dentro ao ponto de escreveres tudo isto para alguém. Alguém suficiente vazio de sentimentos. Como tu.   

        


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domingo, janeiro 25

Tempo

Tempo. 


Só damos por ele quando nos foge. 
Passamos os dias a desejar que seja sexta-feira e chega a Domingo e ninguém sabe muito bem como o tempo voou. Somos peritos em deixá-lo fugir. Peritos em esperar sempre um dia melhor, o próximo fim de semana, o dia em que estiver sol, o dia em que o céu for cor de rosa às bolinhas amarelas, o amanhã ou nunca. Não há amanhã nenhum que compre o tempo. E mesmo que houvesse, nada do que nos fugiu voltaria atrás. A não ser que nos amasse muito. Muito e de verdade. Ainda que isso talvez só acontecesse no século passado. Altura em que ainda se cruzava o planeta em troca de amor para a vida inteira. Hoje não. Vá, hoje cada vez menos. 

É impressionante como horas parecem minutos e há minutos que demoram horas a passar. Como tempo e circunstancias se fundem e difundem. Como somos comodistas ao ponto de pensar que o tempo é o rei da razão e que tem solução para tudo. Para todos os problemas. Quando o principal problema somos nós. 

Se não deixamos a nossa vida aberta nas mãos de ninguém, porque o havemos de fazer com o tempo?


Falar de tempo é perdê-lo. Corre de uma vez por todas à frente dele e sê feliz. 

Patrícia Luz
25 de Janeiro de 2015


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Fotos.Praia de Faro













quinta-feira, janeiro 22

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 «The world is so much bigger than your brain, stop living inside your head.»


Suspirava para dentro em silêncio. As mãos tremiam escondidas debaixo das pernas a fim de não evidenciar o nervosismo enquanto mantinha uma postura firme. Os elos mais fracos arranjam sempre estratégias de se mostrar fortes, seguros e confiantes. O coração encarrega-se de desmascarar isso. 

É nessas alturas que sentimos a vida por um fio. As arritmias de quem disfarça um amor que transborda pelos olhos devem ser a principal causa de morte em pessoas apaixonadas. E eu não sei como ainda aqui estou para vos contar esta história. 

Há coisas que nos ultrapassam. Uma delas foi a tua voz. Passou-me a duzentos na autoestrada que são os meus olhos a cruzar os teus. E se o que disseste era importante, deixa-me dizer-te que o que eles me disseram foi mais ainda. 

Tenho frio. Podias ter-me avisado que te tinhas vestido de inverno.

Patrícia Luz
23 de Janeiro

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quarta-feira, janeiro 21

Uma «gaja» porreira

O sonho de qualquer homem é arranjar uma gaja porreira. Decidi abolir as aspas desta expressão tão tipicamente portuguesa, porque não há maneira melhor de expressar o que é realmente uma mulher a sério.  

Até porque uma mulher a sério nem leva o termo à letra. Se lhe disserem que é ela, é capaz de se rir e banalizar a questão. 

Certamente que estará habituada a baixar o nível quando é preciso assumir o papel de companheira das "jolas" no café da praia - ainda que não as beba -, naquele final de tarde de verão em que não apeteceu regressar a casa para fazer o jantar e o serão se estendeu até às tantas da manhã com os amigos que por vezes nem são os dela, mas que certamente passarão a ser.

Arranjar uma mulher que aceita permanecer noite dentro com o chinelo de praia no pé, o cabelo salgado e ressequido do sal,  enrolada na toalha ainda molhada dos banhos de sol quando o frio aperta, não é para todos. É para quem tem sorte e que na sua grande maioria não a reconhece. A não ser quando os amigos se reúnem para invejar a relação que provavelmente nem ele sabe bem cuidar. 

Uma gaja porreira não tem horas. Mas tem sempre tempo. Tempo para ler o último best seller, responder à mensagem nem que seja dois dias depois, para se enfiar sozinha no táxi e ir até ao outro lado do mundo se for isso que deseja muito. De te dizer que és um atrasado mental com todas as letras e rir-se na tua cara com um sorriso que faz perdoar até o diabo. 

Uma gaja porreira sabe colocar um vestido preto e uns sapatos à altura quando é preciso. À tua altura, se a convidares para jantar. Ela é minimamente inteligente para saber que mais do que ela, existes tu. E que o tango não se dança sozinho. Ela vai aguentar os sapatos até ao final da noite e fazer boa figura enquanto for estritamente necessário, mas vai olhar-te nos olhos e dizer que a melhor sensação da vida é correr as ruas descalça, quando a última garrafa de vinho viajar nas suas mãos.

 E se nessa altura não perceberes que estás perante a mulher da tua vida, lembra-te que certamente não voltarás a encontrar igual. 

Gajas porreiras não se encontram ao virar da esquina.

Patrícia Luz
22 de Janeiro de 2015

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terça-feira, janeiro 20

ser mais do que parecer

«Ele viu-a descer as escadas com ar de quem não se importava, mas sabendo que todos se importavam com ela. Tinha uma clave de sol tatuada no braço. Ele perguntou-lhe se sabia música. Ela respondeu: "Depende de quem me toca".» Nano-contos


A vida não se resume a amor. Não se resume a estalar os dedos e ter os sonhos numa mão e a vontade de os concretizar na outra.  
Mas certamente que a minha se poderia resumir àquilo que nutro pelos outros, um sentimento a que não sei o que chamar - mas que é bom o suficiente para me fazer tanto mal -, e às mãos abertas para agarrar todos os sonhos com vontade.
Podia ser quase a mesma coisa, mas não é.

A vida não se resume a mudares os teus princípios porque vives numa sociedade que não os aceita. Não tens que ser mais uma ovelha que se encontra num rebanho hierarquicamente desordenado . Há campos suficientemente grandes para poderes ser o que tu quiseres. E escolher ser muito mais do que aquilo que a maioria te influência a ser. O maior desafio está em mudares uma sociedade. E mesmo que não o faças, que tenhas a coragem de mandar a primeira pedra e saberes que tentaste. Que com sorte começas a influenciar alguém a seguir-te as pisadas. E sempre que isso acontecer lembra-te que uma estrada sem luz tornar-se-à melhor com alguém por perto.  

O que me move não é ser politicamente correcta para com os outros e acreditar que posso mudar o mundo. Pudera eu fazê-lo. Basta-me acreditar que posso ser correcta comigo e fazer o meu mundo melhor. Poucas pessoas percebem o valor que isto tem. Mas com toda a certeza que muitas me invejam. 

(Quantas pessoas tem a coragem de admitir que há quem as inveje?)

Andamos demasiado ocupados em perceber a vida que os outros levam. Em viver o amor dos outros, o dinheiro dos outros, o trabalho dos outros. A querer sempre melhor (para nós, só para nós e para o nosso umbigo), sem percebermos que na verdade ainda não temos grande coisa. Ou nada que seja suficientemente bom para não precisarmos de mais nada além disso.


Patrícia Luz
20 de Janeiro de 2014

ao som de Rhye - Woman.

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domingo, janeiro 18

P.s

P.s.
I never told you, but I was falling in love. 


Quantas vezes amaste em silêncio? Quantas pessoas te amaram em silêncio? 

Há coisas que ficam bem melhor entregues assim. Gostar das pessoas tem tanto que se lhe diga. Gostar das pessoas hoje em dia é muito mais do que isso. Aliás, é cada vez mais só isso. Se lhe dizes corres riscos que podem ter consequências para a vida, se não dizes, nunca saberás, mas é quase sempre o melhor caminho. Nunca se ganha nada. Nunca se perde nada. Mas sobretudo, nunca se estraga nada. E quando gostamos de alguém, o que menos queremos é que ela se mude para o outro lado do planeta e fuja a sete pés.  

Há quem diga que são amores comodistas. Eu digo que são sinceros.

Gostar de alguém em silêncio é coisa de gente forte. Tão forte quanto fraca em simultâneo. Só isso.
Gostar de alguém em silêncio é um beco sem saída, com saída por todos os lados. Porque tu só estás preso enquanto queres estar. Só gostas enquanto nada te fizer mudar de ideias. 
Gostar de alguém em silêncio é um grande filme. Digno de sala cheia e ecrã gigante. Porque não há silêncio maior que o de quem ama sem poder amar. Não há drama maior do que tudo o que não queres saber vir-te parar às mãos por obra e graça do espírito santo. Não há olhos que vejam melhor o que não queres ver. E atrevo-me a dizer que quem te ama em silêncio conhece todos os teus lados. Porque ninguém sabe. Mas tudo se sabe. Ninguém estraga. Mas toda agente o faz, ainda que indirectamente.

Quem gosta em silêncio. Gosta de tudo em ti.
E nem tu sonhas o quanto.

Patrícia Luz

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domingo, janeiro 11

«if you expect the world to be fair with you because you are fair, you're fooling yourself. That's like expecting the lion not to eat you because you didn't eat him»


Aprendes que é preciso calma. Que respirar fundo e contar até dez é sempre a melhor solução quando a panela quiser explodir. Que a tua serenidade é o frenezim de muita gente. Que uma mão de sorte vem acompanhada de dez de azar. Mas que nenhum azar dura para sempre se trabalhes arduamente para o combater. Que o sucesso não é sorte. O sucesso é trabalho. Percebes que as pessoas te querem ver bem, mas nunca melhor que elas. Que a inveja existe. Existe debaixo das mãos que te fazem festas quando a vida não te corre bem. Existe debaixo dos abraços apertados que sorriem no teu ombro quando tudo der para o torto. É verdade, há mesmo pessoas assim. Percebes que os sorrisos escondem farpas. E que as palavras, mais tarde ou mais cedo, são desmascaradas com atitudes. Que as amizades instantaneas são um poço sem fundo, sempre à espera do momento ideal para te deixar cair. As amizades instantaneas, chamei-lhes assim, trepam por ti a cima e depois esquecem-se do degrau que as pôs no alto pedestral. Essas são tuas agora, e de quem lhes convier a seguir. A corrente corre consoante a maré nestas circunstancias. 
Aprendes que quanto melhor estiveres na vida, melhor ficarás.
Ensinarás que ser humilde não é ser parvo. Que ser justo é fazer com coração. E que mais vale o coração desfeito do que a consciência pesada. Ensinarás que às vezes é preciso descer dois degraus para subir três. E que nunca, mas nunca, os valores dos outros velerão mais do que os teus.  

Respeita-te. Neste mundo de canibalistas. 
Porque só assim não serás um deles também.

Patrícia Luz


        

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quinta-feira, janeiro 8

Liberdade.

Cuidado.
A maneira como dás festas em amigos, podem ter repercussões consoante a força com que o fazes. Assim como «quem diz o que quer ouve o que não gosta». 

A liberdade tem limites. Permite-te ultrapassá-los com consciência. 

Patrícia Luz 




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quarta-feira, janeiro 7

Má língua, às vezes com razão #1

Eu tentei conter-me mas não resisti. Peço desculpa.
Se há jornalismo que me faz ter vergonha do país em que vivo, sendo eu uma nacionalista nata - é preciso que percebam o peso que têm as minhas palavras quando falo de vergonha do país que tenho - é a falta de reconhecimento do que temos de melhor.
Numa peça de aproximadamente onze minutos que visa resumir o mundo desportivo em 2014, em que oito minutos são dedicados ao Futebol ... meus amigos, é caso para dizer que o melhor é os campeões deste país tratarem da dupla nacionalidade e irem ser o orgulho de quem lhes dê o devido valor.
Percebe-se que o que vende é que interessa vender. Mas se eu fosse, por exemplo, a joana ramos (alguns perguntam-se: "quem é a joana ramos?" não é? não se preocupem, é normal.. há mais pessoas assim neste país), preferia competir em silêncio, às escuras e numa sala secreta, em modo quase ilegal, só para garantir que o silêncio sobre as vitórias se manteria para sempre.

Patrícia Luz 

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terça-feira, janeiro 6

Alma

O mais bonito dos sorrisos é o da alma.
Acho que a verdadeira magia das pessoas está aí. 

Pena que poucas pessoas sejam mágicas.

Patrícia Luz
7 de Janeiro de 2015

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segunda-feira, janeiro 5

Lembrei-me de mim.

Há uns meses atrás, quando o sol ainda era quente e as tardes duradouras, muitas delas perdidas entre a imperial que morria no copo e os banhos de sol que chegaram a ser de lua, com amigos que fizemos em horas, porque o ambiente assim o quis, como o verão assim  o quer, lembro-me de me dizeres que o que mais te tinha apaixonado em mim - mesmo que, provavelmente nunca te tenhas apaixonado, na verdade - foi ter dito, enquanto me entretia a encaracolar o cabelo queimado do sol nos dedos, que fazia tudo o que queria muito fazer. Ia onde queria muito ir.. independentemente de quem quisesse vir comigo, enquanto o sabor a água salgada me dava sede de ti.

Não me lembro de o dizer. Mas lembro-me de ti como ninguém nessa tarde.
Lembrei-me de ti no dia 31 de Dezembro. E deixei-te do lado de lá.. no sitio das coisas boas sem retorno que nos acontecem na vida.

Lembrei-me de ti quando embarquei para o Porto com meia hora de sono da noite anterior. Lembrei-me de ti quando às quatro da manhã decidi que ia ser louca o suficiente para deixar os meus amigos de sempre e embarcar na aventura de ir sozinha passar o ano com alguém que podia simplesmente ser isso, alguém (não o é!). Lembrei-me de ti, não por seres tu, mas por me lembrar de ser eu de todas as vezes que quero ser. Por ir onde quero muito ir. Fazer o que quero muito fazer. Independentemente de quem queira vir comigo. Como me disseste naquela outra tarde de Outubro, quando nos sentámos junto ao mar - como não poderia ser de outra forma - e falámos por horas. 

Lembrei-me de ti não por seres tu. 
Lembrei-me de mim por ser efectivamente eu. 

Que nunca me falte a loucura de viver sem planos.

Patrícia Luz
6 de Janeiro de 2015



ao som de Ben Harper

Coimbra / Porto / Gaia








    

Mais do que uma passagem de ano, isto foi para mim, a verdadeira e simples passagem de ano. Obrigada Flávio. Escreverei para te agradecer o abraço. Porque o resto, fica entregue ao Porto e a nós, amigo .                                       


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domingo, janeiro 4

7.30 a.m - 20 p.m

Em véspera de começar a incorporar oficialmente a empresa - casa, prefiro chamar-lhe assim - a que tanto me dediquei nos últimos tempos, ficam estas imagens para vos tentar inspirar tanto quanto eu me inspirei hoje. 

Porque do outro lado do escritório está o mar. Está o sol. Está a água salgada.
Além das pessoas, do stress, da tensão a que a vida nos obriga... está o silêncio. A paz. A música. A música da natureza sobretudo. Sempre à nossa espera. 

Além do que os olhos comuns podem ver, está o sentimento que só os verdadeiros amantes da felicidade pura conseguem descodificar. 

Que a vida seja isto: momentos.
Tão breves e tão bons, quanto estas fotos. 

Patrícia Luz
5 de Janeiro de 2015

ao som de Ben Howard. 

Sagres / Aljezur

































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