segunda-feira, fevereiro 23

O que os homens gostam

Os homens não gostam de boas mulheres, com o coraçãozinho no sitio e focadas o suficiente nos objectivos que as levarão ao sucesso. Apromadinhas e com ar de quem não parte um prato. Isso é um ponto importante, mas não dá tesão a ninguém. 
Os homens gostam de mulheres que lhes dão com os pés um cento de vezes e que voltam cento e uma para mostrar quem tem a faca e o queijo na mão com um sorriso entre dentes, olhos meio cerrados e o diabo no corpo. 
 Há lá coisa que os fascine mais do que a dificuldade de poderem ter quem no fundo têem a certeza que os quer também.
Eles gostam de essência e conteúdo. De mulheres de raciocionio fino com quem possam falar sobre politica, cinema, teatro, música, fotografia, arte, desporto, ou de sexo, como de vinho se tratasse. Mulheres capazes de virar as costas na hora h e deixá-los com água na boca, como se de um oasis se tratassem no meio do deserto. Gostam de mulheres desafiantes. Mulheres que vão embora para nunca mais lhes sair da cabeça, e que voltam para lhes infernizar a vida. 
Não gostam do fácil, mas dispensam o demasiado dificil. Gostam de olhares que se cruzam sem querer e de beijos que ficam por dar. Detestam o silêncio e as palavras a mais. 

Os homens gostam de uma mulher que é séria e fala verdade, mas não dispensam uma palhaça mimada capaz de rir até lhes faltar o ar, de preferência enfiada na t-shirt de há dez anos atrás que serviu de pijama depois da noite de gala em que o vestido preto fez de tapete no chão do quarto. Ou de outra divisão qualquer. 

Os homens não sabem bem do que gostam. Porque quando descobrem é quase sempre tarde de mais. 

Patrícia Luz
24 de Fevereiro de 2015


 Fotos. Parque das Nações, Lisboa 

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domingo, fevereiro 22

Pessoas Agridoces

«Saudade é um pouco como a fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. (...)» Clarice Lispector

Ele é frio. Mente com todos os dentes que tem na boca e não cuida daquilo que cativa. É cobarde. As mulheres são brinquedos nas suas mãos, no entanto nenhuma é suficientemente dele. Tem o rei na barriga. Mas foge de ser homenzinho sempre que a responsabilidade lhe bate à porta. No meio da vida feliz que leva, é infeliz. Quase que apostava os feijões todos do planeta em como tem saudades de tudo o que não tem. Apesar de se querer mostrar despreocupado com o que o futuro lhe reserva deita-se todos os dias na cama vazia de amor a pensar na mulher que não tem e nos anos que passam entre quatro paredes vazias de sentimentos nutridos por verdade.
Gosto de pessoas que são mais do que aquilo que pensam que são, mas que não deixam transparecer isso. Pessoas com sentimentos escondidos num cubo de gelo. Gosto de lhes fazer perguntas sem resposta low-cost  que desmascaram indirectamente a essencia que se esconde no fundo de um poço tão grande que poucos são aqueles com paciência para querer chegar lá.
Foi assim que me apaixonei, no silêncio de uma noite vazia mas inesquecivel, por uma pessoa má. Uma pessoa má o suficiente para me fazer querer absorvê-la até ao fim, só para o poder sentar à minha frente e dizer-lhe o quanto os seus defeitos escondem quem me tem feito perder o sono de há uns meses para cá.

Eu e a minha mania de querer descobrir pessoas boas onde elas não existem.

Patrícia Luz
23 de Fevereiro

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sábado, fevereiro 21

Sábados em Lisboa


Trabalhar com pessoas que me querem bem, estar perto de quem mais gosto e poder fotografar nos tempos livres. Como poderia não gostar de estar em Lisboa?  

Fotos. Parque das Nações
22 de Fevereiro de 2015
Patrícia Luz

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sexta-feira, fevereiro 20

Primeiro Aniversário Trendland!

«Talento ganha jogos, mas trabalho em equipa e inteligência ganha campeonatos»

Faz hoje um ano que entrei num dos projectos que mais me desafiou enquanto pessoa. Um projecto que foi contra aquilo que pensava e que me fez mudar muitas das ideias que tinha formatadas na minha cabeça. Um projecto que me fez consolidar a mentalidade de que trabalhar na noite não é apenas sinónimo de ser uma sem norte à terra, como muita gente pensa. Ou que a noite é apenas sexo, álcool, drogas e rock n'roll. Este projecto provou-me o contrário. Provou-me que a noite faz amigos com quem podemos realmente contar. Que é possível ser solidário em qualquer lado, desde que haja vontade da parte de alguém em ajudar. Que todos os dias podem e devem ser uma razão para comemorar a vida.

 Por trás de cada um de nós, estão pessoas que trabalham e estudam todos os dias, a maioria das seis da manhã às oito da noite, que têm testes, exames, namorados e namoradas, e que dedicaram as suas horas livres a lutar pela melhor forma de vos oferecer o melhor àquele que é também o vosso tempo de diversão. Uma equipa que nasceu do nada para revolucionar as noites de Faro e que se tornou numa família com elos tão fortes como os que os irmãos têm uns para com os outros. 
A Trendland é muito mais do que horas de loucura, copos cheios e bolas de espelhos a girar durante horas. É isso tudo nutrido por uma amizade que foi construida com pilares que como todas as relações tiveram os seus altos e baixos, mas que se uniram sempre para comemorar as vitórias como um todo. 

Hoje comemoramos um ano. 
Comemoramos mil e uma noites sem sono, a fazer o melhor de nós por quem não deixou de acreditar que todos juntos eramos capazes. 

Obrigado a todos os que compareceram nas nossas festas!
Obrigada pelo verão inesquecível de SEVEN Vilamoura, Manta Beach e Nosolo Água Portimão!
Obrigada FIRST FLOOR e TWICE!
Obrigada a todos os Djs convidados!
Obrigada Melinho, Jp e Ivo, por acreditarem que juntos seriamos capazes sem nunca baixarem os braços. Porque é de pessoas assim que o nosso país precisa.

Patrícia Luz
20 de Fevereiro de 2015


















segunda-feira, fevereiro 16

O amor existe, mas os olhos também

«Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.»
william shakespeare

Estou feliz pelo meu post anterior ter feito chegar até mim os comentários mais controversos. Muitos positivos, alguns menos. Recebi todos com carinho e agradeço-os bastante. 
Contudo, gostaria de me fazer entender.

Se há pessoa que tem defendido o amor puro com unhas e dentes ao longo dos anos sou eu. Quando alguém me diz o contrário posso concluir que não me acompanha assim há tanto tempo ou não me conhece o suficiente. Ou talvez conheça apenas o meu lado de romantica ressacada, se é que lhe posso chamar assim, que tem prevalecido nos útimos dois anos. (Acuse-se quem achar que minto).
Sou blogger há doze e em doze anos algumas coisas mudaram, porque eu mudei conforme a vida me mudou acente em atitudes de pessoas; mas o amor é um assunto que sempre fiz questão de defender, quando puro, quando verdadeiro, quando fiel. Falarei mal dele cada vez que fugir destes parâmetros, porque isso aos meus olhos não é amor. É outra coisa a que as pessoas chamam amor. A que as pessoas mascaram de amor. Modernismos (in) aceitáveis com uma leveza que me transcende.  

Chega uma altura em que nos esfolamos por alguém, batemos com a cabeça vezes sem conta até percebermos que há um "não" que deve prevalecer na nossa vida. Um "não" que tem de se impor quando julgamos que a nossa felicidade está em alguém que não nos respeita. Eu pensava assim. Pensava que lutar pelas pessoas que amava era suficiente para que o amor vencesse o impossível. Até que olhei para mim doente por um amor podre que me consumia por dentro por ser tudo menos amor. Hoje acho que a felicidade deve ser vivida de nós para nós primeiro, mas que nunca devemos dispensar ninguém da nossa vida quando é um acréscimo positivo aos nossos dias. 

O que me tem acontecido e o que tenho visto acontecer às pessoas por quem nutro uma amizade de verdade, é que o respeito neste sentido não tem sido a regra. O amor tem sido a excepção. O amor a que eu chamo amor. Ao que acenta nos pilares que mencionei anteriormente, quer queiramos quer não, é raro. 
Mas existe. E o que existe recomenda-se. Recomenda-se especialmente a servir de exemplo. Conheço alguns que valorizo bastante.

Se há coisa que eu não queria era ser solteira. Muito menos para sempre. 
Deito-me demasiadas vezes a desejar ter uma conchinha onde me enrroscar ou alguém com quem discutir assuntos parvos que me permitam lutar por depois fazer as pazes. Alguém que se apaixone por mim todos os dias, especialmente naqueles em que pareço um panda por me ter esquecido de tirar a maquilhagem da noite anterior ou um trapo velho enfiado numa t-shirt xxl. 

Acredito sobretudo que todos os dias são um bom dia para descobrirmos o amor da nossa vida. E que ser solteiro é uma opção de gente forte o suficiente para esperar sentado pela pessoa certa em vez de optar pelo método tentativa - erro - colecção de relações falhadas. 

Se há quem goste de continuar a bater com a cabeça na parede vezes sem conta, isso são opções que cada um é livre de tomar. Eu limito-me a observar e a escrever o que vejo. Porque maior cego é aquele que não quer ver. 

Patrícia Luz
17 de Fevereiro 2015 
ao som de Alt-j
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domingo, fevereiro 15

My Valentines

ao som de Neighbour

Tantas horas perdidas à procura de um presente para a namorada e dinheiro gasto naquele que devia ser um dia igual a todos os outros, quando duas pessoas se amam. 
Nos dias que correm, sou da opinião de que o dia 14 de fevereiro deveria chamar-se dia da fachada. Primeiro porque quem é namorado a sério não precisa de dar importância especial a este dia, uma vez que todos os dias constituem razão suficiente para o ser, segundo porque quem lhe dá importância, na maioria das vezes humilha-se a si próprio, quando do outro lado das rosas e jantares românticos existem "as outras" e "os outros" com quem andam metidos os restantes 364 dias do ano, provavelmente num cenário idêntico. 

Há coisas que me fazem confusão. Uma delas é isto.

Não é ciúme. Não é por ser solteira que sou cega. Muito pelo contrário. Talvez por ver de mais é que o sou. Simplesmente acho que o mundo é pequeno. Muitas coisas se sabem e normalmente não são as melhores. Falta de verdade no amor fala muito sobre as pessoas. Sobre o que elas são capazes de ser e de fazer. E tem-se descoberto que há muitas pessoas podres por aí. Homens e mulheres. 

Por isso dou valor a quem tem coragem de ser fiel a si mesmo, quando não consegue ter a seu lado alguém em quem pode confiar ou quando ainda não encontrou quem realmente lhe encha as medidas ao ponto de todas as restantes mulheres à face da terra sejam vistas como homens, ou vice versa.
A quem se senta no sofá todos os dias depois do trabalho sem que ninguém o espere, a quem prepara um pequeno almoço delicioso de todas as vezes em que é o que lhe apetece ou simplesmente compra um presente ao colega de trabalho ou amigo porque sim, porque merece. A quem sabe sair porta fora para ir ao cinema, ao teatro ou ao concerto que quer muito ver, sozinho ou com amigos que nem são os dele e divertir-se à brava. A quem abre uma garrafa de vinho mesmo que seja só para si e para a sua companhia de sexta à noite, que por norma é o best seller e/ou o album musical do momento. 

O amor verdadeiro é única exclusivamente o sentimento que é de nós para nós. Porque quando alguém entra na nossa vida não deve ser com o propósito de nos trazer o que nos falta, mas sim complementar o que somos. O dia dos namorados não devia ser um dia de dar para receber, mas sim o dia de celebrar aquilo que damos sem querer receber nada em troca. E isso nenhum bouquet de rosas pode solucionar.


Patrícia Luz
16 de Fevereiro de 2015

quinta-feira, fevereiro 12

Tipos de Pessoas

«A quem me deseja o mal, eu desejo o bem. Cada um oferece aquilo que tem.»

Há dois tipos de pessoas no meu dicionário. As que eu adoro e as com quem eu não simpatizo,  dispenso meios termos. Não odeio as segundas, nem lhes corto a oportunidade de me surpreender pela positiva - anseio que o façam; simplesmente não insisto em gostar delas. Ou do feitio delas. 

Respeito-as o suficiente. Ao ponto de me pôr sempre a mim em cheque primeiro. Respiro três e quatro vezes quando o feitio delas choca com o meu.

Acho que não devemos odiar pessoas. Faz-me uma ligeira impressão quem o faz e quem o diz. Nunca sabemos quando a nossa vida depende delas, quando trincamos o próprio veneno e morremos engasgados com o ódio que nutrimos pelos outros. 

Acredito que o que damos, é reflectido para nós em dobro. E como eu desejo muito bem à minha vida, não me preocupo em desejar o pior à dos outros. Contudo sei que nem todos pensam assim. A inveja transforma muitas pessoas aparentemente boas em atitudes que as desmascaram aos olhos dos mais atentos. E mal de mim e de quem me fez tão perspicaz. 

 Eu não odeio pessoas. Mas também não finjo não ouvir o que me incomoda. Não sorriu quando não acho graça. E não compactuo com quem perturba a minha paz emocional. Já lá vai o tempo. 
Pelo contrário, desejo o bem a todas as pessoas que me tentaram fazer mal por alguma razão. As que me tentaram passar a perna em algum momento da vida. As que me magoaram. As que sairam da minha vida antes de fazerem parte dela. Não me esqueço delas. Não deixo de lhes dar a mão. 
Porque aprendi ao longo dos tempos, que o bem é a melhor maneira de castigar quem usou todas as facas que tinha contra nós. O bem é a melhor solução para a guerra. O bem de verdade.

Chapadas de luva branca fazem bem ao mundo. E à consciência.

Há pessoas que parecem ingénuas. Há pessoas que parecem parvas.
Há outras que não se chateiam com nenhuma das pessoas que as fazem passar por ambas as coisas. 
Porque pessoas inteligentes o suficiente só se deixam comer quando querem. 

E muitas deixam-no vezes o suficiente para perceber o quanto não simpatizam com alguém.
Pessoas inteligentes tiram conclusões em silêncio. 

(Rezem por não conhecerem o dia em que decidirem fazer barulho.)

Patrícia Luz
13 de Fevereiro 2015

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domingo, fevereiro 8

clicks

E se pudéssemos escolher gostar de quem gosta de nós?

Tenho um amigo que se pudesse fazia de mim a mulher mais feliz à face da terra. Acredito que todos nós já conhecemos alguém assim. Casava-se e tinha filhos amanhã. Ele reconhece tudo o que efectivamente sou. Fica estático a olhar para a minha boca a mover-se em câmara lenta e a observar o brilho dos meus olhos enquanto falo das mágoas da minha vida como se não fossem minhas. Dou por ele estupidamente parvo a olhar para mim enquanto como, a observar o meu modo desajeitado de pegar nos talheres quando não me sinto à vontade.  Ele conhece-me há pouco tempo e é como se me conhecesse há anos. Diz que falo com os olhos. E que sou suficientemente inteligente para não me querer levar para a cama de todas as vezes que me vê. Ainda que fosse esse o seu desejo. Apesar de nunca o conseguir.
Que sou osso duro de roer. E que isso inquieta os Homens como ele.
Já me ouviu durante algumas horas e falou-me da vida dele durante outras tantas. Acho que se estivéssemos ao telefone durante um ano, teríamos conversa para pelo menos mais três. Fizemos os programas mais improváveis juntos, alguns dignos de livro e nunca passou disso porque há amizades que nasceram para ser somente isso. 
Ele sabe quando estou triste. Envia-me mensagens aleatórias a desejar bom trabalho pela manhã e liga-me no final da noite para saber se estou bem, como correu o dia, o que vou jantar ou apenas para avisar que vai dormir. Estamos dias sem falar e meses sem nos ver. Ele liga-me para me falar de mulheres que o inquietam; de como tem saudades delas. E para me dizer pelo meio que se tivesse alguém como eu, daria este mundo e o outro para cuidar dela. 
Nós temos uma relação de amizade pura, mas estranha ao mesmo tempo, por não ser de igual para igual, ainda que o seja simultaneamente. 

Ele diz que sou diferente de todas as raparigas que já conheceu. E por saber que não me vai ter, deseja-me o melhor homem que imagina na cabeça dele.
Há dias ligou-me. 
Ligou-me para me dizer que me vê com alguém à altura. Um Homem a sério. De negócios, vestido a rigor, capaz de me passear para todo o lado de mão dada sem nunca a querer largar. Porque um Homem a sério vai saber dar-me valor e nunca me vai querer deixar fugir. Porque pessoas como eu, dizia ele, não se encontram ao virar da esquina.

No dia em que esse Homem me encontrar espero gostar dele o suficiente para ficar na minha vida, respondi-lhe. 
Nesse dia conto-to-te como é difícil não podermos gostar de quem gosta de nós e como estalar os dedos para que nos desse o click dava imenso jeito em muitas alturas da nossa vida. 

Patrícia Luz
9 de Fevereiro 2015 


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sábado, fevereiro 7

Coisas que não têm preço

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«O que importa não é com quem ficar sexta à noite, mas sim quem vai passar o sábado inteiro a seu lado.»



Podem-me tirar muita coisa. Mas quem me tirar estes dois tira uma grande parte de mim.
Não há quem me conheça melhor. Quem me tenha visto rir até perder o folgo e chorar da mesma forma. Não há quem tenha interiorizado as minhas mágoas e chorado com elas também. Incorporado a minha raiva ao ponto de querer destruir quem me destruiu. Não há com quem tenha melhores aventuras. E ninguém guarda os meus segredos além deles. Eles conhecem-me até de olhos fechados. Tê-los na minha vida é uma sorte.  Uma sorte tão grande como seria ganhar o euromilhões e talvez nem isso comprasse o valor deles. 

Posso não ter muitos amigos, mas tenho dois que valem por mil.
















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quarta-feira, fevereiro 4

Homens: todos iguais, todos diferentes

Além de mim, era uma mesa comprida rodeada de homens. Homens de várias idades, todos eles com idade para ter juízo - Há uma idade para os homens ganharem juízo? - uns mais novos que eu, outros com idade para serem meus pais. Sobre a mesa a cerveja era intervalada com o chouriço assado que molhava o pão. A lareira em plano de fundo ajudava a aquecer os ânimos e a conversa típica de quem me considera transparente nestas ocasiões - mulheres, obviamente - dava lugar a disputas. 

Às vezes penso realmente que noutra encarnação devo ter sido homem. Homem o suficiente para passar despercebida nestas circunstancias. A verdade é que a vida empurra-me sempre para estes encontros e eu às vezes nem sei muito bem onde me enfiar, mas acabo sempre por me aperceber que nem faz diferença o meu incómodo. Incómodo salvo seja. Constrangimento. 

É engraçado como numa amostra tão pequena é possível extrair homens tão reles e outros puros o suficiente até verem um rabo de saias. Desde os solteirões que se dizem apaixonados como nunca estiveram na vida por uma mulher com quem passam o tempo inteiro a trocar mensagens, mas que no final da noite estão a rezar dez pais nossos e vinte avés marias para levar a miúda mais boazona da discoteca para casa, mesmo que isso lhes valha uma valente dor de cabeça no dia a seguir, até aos comprometidos que tem ataques de amnésia quando por obra e graça do espírito santo alguém se lembra de perguntar pela Maria ou pela Joana, que ficou em casa descansadinha porque no mínimo pensa que o homem já vai no quinto sono, mas afinal prepara-se para consumar o engate que nem ele próprio sabe como conseguiu. Ah! não.. desculpem. Nestes casos a desculpa é quase sempre a cerveja a mais, tinha-me esquecido. 

Isto para não falar das apostas a feijões que homens fazem entre si que nos tornam única e simplesmente carne fresca para leões esfomeados. Ah pois é, mal tu sabes que aquele com quem te deitaste já ganhou um barril de cerveja à tua pála hãn.

Garanto-vos que às vezes preferia não ouvir nada do que oiço e viver na ignorância para sempre. Certamente que neste momento tinha alguém a meu lado todos os dias, excepto naqueles em que as outras mulheres decidirem dar uso às saias. 

Mas felizmente vivo rodeada de homens que me abrem os olhos todos os dias e os quais vou conhecendo como a palma das minhas mãos, ou até melhor. Humanos o suficiente para me fazer esquecer o lado menos bom que todos têm. Que não são santos. Longe disso. Mas que têm mágoas e que talvez isso justifique muita coisa, ainda que não deva justificar nada.  Homens que também foram traídos ou trocados, que choram de vez em quando e que também emagrecem por falta de amor. Homens que me ligam para contar o quanto gostam de alguém que está do outro lado do planeta e como mudavam tudo por ela se a vida fosse simplesmente amor. Homens que se casaram mil e uma vezes em pensamento com a burra que deitou tudo a perder para o pintarolas da moda que também chora ao pé de alguém como eu as marcas que o verdadeiro amor da sua vida lhe deixou.

Homens que não me deixam odiar a espécie, digamos assim. 

Posto isto quero acreditar que no dia em que um tipo me comprar pela certa, das duas uma, ou engana muito bem face aos protótipos que vou conhecendo ou então é mesmo o sortudo que vai ter de gramar comigo para a vida inteira.

Nem que eu tenha de comprar todas as saias do planeta. 

Patrícia Luz 
5 de Fevereiro 

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segunda-feira, fevereiro 2

Dez para a meia noite


Há dias que têm tudo para dar certo. Mas não dão. 
Porque é que somos escravos das nossas vontades?

Hoje acordei cedo. Como quase todos os dias. O despertador toca às seis. Às vezes nem eu sei bem porquê. Gosto de poder voltar por mais um bocadinho sempre que me arrependo de o ouvir tocar. Como também gosto de ver o nascer do sol na janela enquanto o silêncio impera na vida das outras pessoas e as luzes ainda se apagam lá fora. Gosto de ir descalça à cozinha pé ante pé devorar fruta pela manhã enquanto todos dormem cá em casa. 

 Às vezes cinco minutos sabem a horas. 

Hoje acordei cedo como em quase todos os dias. Sentei-me estática sobre a cama enquanto a água quente corria no chuveiro. Apetecia-me ficar ali, enrolada em memórias tripartidas e vazias. Vazias de conteúdo, ao som da água que caia em tom de fundo. Podia ficar ali sem tempo. 

Não fosse o tempo a passar. 

Há dias assim.
Preenchidos o suficiente, mas vazios demais. 

Patrícia Luz
2 de Fev. 2013

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domingo, fevereiro 1

Coisas da minha terra

É bom chegar à cidade e ver a imensidão de luzes acesas à espera de me receber para mais uma semana de trabalho. Mas é tão melhor a paz da nossa casa de coração. O colinho do avô. A fruta comida directamente da árvore. O som dos sinos da igreja e do mar a enrolar a areia. Da chuva a bater na janela e do vento a ecoar na rua. É tão bom o quentinho dos amigos junto à lareira. O silêncio das palavras e a música a aquecer-nos a alma. É bom o sotaque da terra. O vinho da última colheita e as lembranças em todas as ruas. É bom o sabor do croissant com chocolate da infância, que ainda se mantém e do pão acabado de fazer. É bom o cheiro a terra molhada e até mesmo o frio da cama vazia. 

Há coisas que nunca mudam. 

ao som de Prefuse 73.

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