segunda-feira, fevereiro 16

O amor existe, mas os olhos também

«Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.»
william shakespeare

Estou feliz pelo meu post anterior ter feito chegar até mim os comentários mais controversos. Muitos positivos, alguns menos. Recebi todos com carinho e agradeço-os bastante. 
Contudo, gostaria de me fazer entender.

Se há pessoa que tem defendido o amor puro com unhas e dentes ao longo dos anos sou eu. Quando alguém me diz o contrário posso concluir que não me acompanha assim há tanto tempo ou não me conhece o suficiente. Ou talvez conheça apenas o meu lado de romantica ressacada, se é que lhe posso chamar assim, que tem prevalecido nos útimos dois anos. (Acuse-se quem achar que minto).
Sou blogger há doze e em doze anos algumas coisas mudaram, porque eu mudei conforme a vida me mudou acente em atitudes de pessoas; mas o amor é um assunto que sempre fiz questão de defender, quando puro, quando verdadeiro, quando fiel. Falarei mal dele cada vez que fugir destes parâmetros, porque isso aos meus olhos não é amor. É outra coisa a que as pessoas chamam amor. A que as pessoas mascaram de amor. Modernismos (in) aceitáveis com uma leveza que me transcende.  

Chega uma altura em que nos esfolamos por alguém, batemos com a cabeça vezes sem conta até percebermos que há um "não" que deve prevalecer na nossa vida. Um "não" que tem de se impor quando julgamos que a nossa felicidade está em alguém que não nos respeita. Eu pensava assim. Pensava que lutar pelas pessoas que amava era suficiente para que o amor vencesse o impossível. Até que olhei para mim doente por um amor podre que me consumia por dentro por ser tudo menos amor. Hoje acho que a felicidade deve ser vivida de nós para nós primeiro, mas que nunca devemos dispensar ninguém da nossa vida quando é um acréscimo positivo aos nossos dias. 

O que me tem acontecido e o que tenho visto acontecer às pessoas por quem nutro uma amizade de verdade, é que o respeito neste sentido não tem sido a regra. O amor tem sido a excepção. O amor a que eu chamo amor. Ao que acenta nos pilares que mencionei anteriormente, quer queiramos quer não, é raro. 
Mas existe. E o que existe recomenda-se. Recomenda-se especialmente a servir de exemplo. Conheço alguns que valorizo bastante.

Se há coisa que eu não queria era ser solteira. Muito menos para sempre. 
Deito-me demasiadas vezes a desejar ter uma conchinha onde me enrroscar ou alguém com quem discutir assuntos parvos que me permitam lutar por depois fazer as pazes. Alguém que se apaixone por mim todos os dias, especialmente naqueles em que pareço um panda por me ter esquecido de tirar a maquilhagem da noite anterior ou um trapo velho enfiado numa t-shirt xxl. 

Acredito sobretudo que todos os dias são um bom dia para descobrirmos o amor da nossa vida. E que ser solteiro é uma opção de gente forte o suficiente para esperar sentado pela pessoa certa em vez de optar pelo método tentativa - erro - colecção de relações falhadas. 

Se há quem goste de continuar a bater com a cabeça na parede vezes sem conta, isso são opções que cada um é livre de tomar. Eu limito-me a observar e a escrever o que vejo. Porque maior cego é aquele que não quer ver. 

Patrícia Luz
17 de Fevereiro 2015 
ao som de Alt-j
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2 comentários:

  1. Concordo Plenamente. Amor verdadeiro é mesmo esse. O que nos aceita em forma S ou XL, aquele que não se importa com os nossos máximos "defeitos". Aquele que transforma defeitos em grandes virtudes.
    Aquele que estende a mão e passa no nosso rosto para apanhar as nossas lágrimas, isto sim é amor. Isto sim tem de ser celebrado e TODOS os dias. Entendo perfeitamente o que quiseste dizer inclusivamente eu casada e tremendamente apaixonada irritou-me o facto de tanto falso romântismo no São Valentim quando muitos deles durante o ano andas com bagaçaria por fora. Desculpem, mas dia de S. Valentim não é dia 14 de Fevereiro. É apenas um dia que NADA representa. O verdadeiro amor é representado todos os dias. Se depois de passados 364 dias de muito amor, suporte e compreensão ai sim podemos festejar os 365 por completo, festejar muito mais do que um jantar romântico à luz das velas, festejar intimamente no nosso coração, porque sabemos que o verdadeiro amor chegou.

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  2. Segui :)

    Gosto imenso do que escreve e como escreve.
    É continuar assim e defender as nossas opiniões e pensamento.

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