domingo, fevereiro 15

My Valentines

ao som de Neighbour

Tantas horas perdidas à procura de um presente para a namorada e dinheiro gasto naquele que devia ser um dia igual a todos os outros, quando duas pessoas se amam. 
Nos dias que correm, sou da opinião de que o dia 14 de fevereiro deveria chamar-se dia da fachada. Primeiro porque quem é namorado a sério não precisa de dar importância especial a este dia, uma vez que todos os dias constituem razão suficiente para o ser, segundo porque quem lhe dá importância, na maioria das vezes humilha-se a si próprio, quando do outro lado das rosas e jantares românticos existem "as outras" e "os outros" com quem andam metidos os restantes 364 dias do ano, provavelmente num cenário idêntico. 

Há coisas que me fazem confusão. Uma delas é isto.

Não é ciúme. Não é por ser solteira que sou cega. Muito pelo contrário. Talvez por ver de mais é que o sou. Simplesmente acho que o mundo é pequeno. Muitas coisas se sabem e normalmente não são as melhores. Falta de verdade no amor fala muito sobre as pessoas. Sobre o que elas são capazes de ser e de fazer. E tem-se descoberto que há muitas pessoas podres por aí. Homens e mulheres. 

Por isso dou valor a quem tem coragem de ser fiel a si mesmo, quando não consegue ter a seu lado alguém em quem pode confiar ou quando ainda não encontrou quem realmente lhe encha as medidas ao ponto de todas as restantes mulheres à face da terra sejam vistas como homens, ou vice versa.
A quem se senta no sofá todos os dias depois do trabalho sem que ninguém o espere, a quem prepara um pequeno almoço delicioso de todas as vezes em que é o que lhe apetece ou simplesmente compra um presente ao colega de trabalho ou amigo porque sim, porque merece. A quem sabe sair porta fora para ir ao cinema, ao teatro ou ao concerto que quer muito ver, sozinho ou com amigos que nem são os dele e divertir-se à brava. A quem abre uma garrafa de vinho mesmo que seja só para si e para a sua companhia de sexta à noite, que por norma é o best seller e/ou o album musical do momento. 

O amor verdadeiro é única exclusivamente o sentimento que é de nós para nós. Porque quando alguém entra na nossa vida não deve ser com o propósito de nos trazer o que nos falta, mas sim complementar o que somos. O dia dos namorados não devia ser um dia de dar para receber, mas sim o dia de celebrar aquilo que damos sem querer receber nada em troca. E isso nenhum bouquet de rosas pode solucionar.


Patrícia Luz
16 de Fevereiro de 2015

5 comentários:

  1. sou solteira e não consigo concordar com quase nada do que aqui escreveste.
    é verdade que há muitos casais que estão juntos por tudo menos por amor, é verdade que há muitos casais que se traem mas não é verdade que todos são assim e tu pareces generalizar muito isso. desvalorizas muito o amor. digo o amor, porque parece que para ti, todos os casais estão juntos por interesse ou não são genuínos ou etc etc.
    a mim é isso que me faz confusão. não é preciso um dia do ano para mimarmos quem gostamos mas também acho que quando se gosta, todas as desculpas são boas para surpreendermos quem gostamos. e não é que sejam precisas desculpas, porque não são mas que mal faz mais uma surpresa? que mal faz mais um mimo? não concordo que se deva gastar fortunas em prendinhas só por este dia mas também não concordo que a maioria das pessoas que o comemoram, não sejam "namorados a sério".
    essa "maioria das vezes" a que te referes, é apenas o que se ouve. e sabes porquê? porque das coisas boas, as pessoas pouco falam. para quê falar da felicidade dos outros? vamos é falar da infelicidade, da fulana x que foi encornada pelo namorado mas que continua a postar fotos com ele no facebook.. não te censuro por achares isso, até porque as pessoas dão muito mais importância à infelicidade do que à felicidade dos outros mas essa maioria, na minha opinião, é uma minoria.
    às vezes gosto do que escreves, apesar de nem sempre concordar mas neste post, nem concordo nem me diz nada. a mim, parece-me que a coisa que mais queres na vida é seres solteira para sempre porque ser solteira é que é bom e coitados dos que têm namorado/a porque que terrível é ser-se feliz com outra pessoa.. é isso que transmites, entendes? isto é apenas a minha opinião, a opinião de alguém que está de fora e que até já teve vontade para comentar algumas vezes mas que costuma ficar de fora. hoje não resisti em comentar e não é uma crítica mas se quiseres entendê-la assim, entende-a como construtiva por favor :)
    já agora, esses sapatos são giros giros giros!
    beijinhos Patrícia.

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  2. Boa noite.
    Inês, textos dão aso a várias interpretações possíveis, e vou partilhar a minha. Parece-me que a Patrícia não quis colocar uma carga tão negativa como possa parecer (e compreendo que assim o pareça). O dia dos namorados é para mim uma data puramente comercial, para aumentar vendas e lucros, para usar um sentimento forte e universal e quase obrigar a um gasto como que para fugir a um sentimento de culpa, porque é o dia dos namorados, e porque a sociedade espera que haja esse gesto, nessa data. Claro que o amor é importante, e claro que há muitas pessoas que são felizes, mal de nós se não fosse assim, o que me parece é que há muitas pessoas que no dia dos namorados atribuem um significado muito especial, e depois nos outros dias não se importam assim tanto com pequenos gestos, valores e atitudes, coisas como ir jantar fora, ir ao cinema, ir passar um fim de semana romântico, levar o pequeno almoço à cama..
    Não é de todo uma generalização, são casos, mas não são tão poucos assim, infelizmente. Não me refiro a traições em si, porque no geral não penso que sejam assim tantos casos, mas acho sim que por vezes as pessoas se "conformam" com uma relação que até nos dá algumas coisas boas, mas no fundo sabemos que não é certo para nós, que "não chega". Julgo ser nesse aspecto que a Patrícia valoriza o facto de ser solteira, por mais sós, tristes e carentes que possamos estar, quem está solteiro não pode entrar numa relação só porque se sente sozinha, só porque queria uns mimos, só porque tem saudades de uma vida a dois, e para quem não está numa relação, é difícil resistir a essa tentação, daí a valorização dos solteiros que gostam de si mesmos e conseguem encontrar a sua felicidade sem terem de se "conformar" com alguém que até nos dá alguns sorrisos e algumas alegrias, mas que não é o suficiente. Para mim, é o que este texto transmite, não um ataque aos namorados que são felizes, mas uma celebração aos solteiros que assim se mantêm em vez de estar numa relação que não seja genuína.
    Mas, como disse, há várias interpretações, e esta é apenas a minha =)

    PS: admito que por vezes pareces ter uma impressão demasiado negativa sobre os casais Patrícia (em relação às atitudes das pessoas, não ao amor), mas sendo eu uma pessoa que valoriza muito esse sentimento, acredito que pensas e escreves consoante os casos que vês, mas também acho que esse "mal" não é assim tão geral e representativo, talvez tenhas tido o azar de te deparar com demasiados casos desses, mas felizmente ainda há muitos que querem ser felizes, e retribuir os sentimentos positivos que lhes dão =)

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    1. Obrigada João pelo teu comentário!

      Foi sem dúvida essa a interpretação que quis transmitir. Percebendo contudo que possam existir outras acepções para aquilo que escrevo.

      E percebo que por vezes generalizo casos com que me deparo. Mas na verdade têm sido muitas as situações e isso têm-me feito pôr tudo em causa, talvez, erradamente.

      Quero contudo acreditar que não é tudo assim tão linear.
      «Enquanto há vida, há esperança.»

      Beijocas

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  3. Olá Patrícia =)

    eu também vejo muitos casos assim, eu próprio fui recentemente um desses "conformados" que não queria acabar sozinho, deixei-me andar com o pouco que tinha, porque era melhor que nada, porque acreditava que as coisas podiam mudar, e isso foi deixando os meus dias muito negros, com mais "discussões" do que momentos felizes, sem ver da outra parte aqueles tais gestos que digo achar naturais em todos os outros dias que não o de S. Valentim, e constantemente a interrogar-me porque não os via, porque os tinha de pedir.

    Não é linear, não é generalizado, apenas tens tido azar nas "amostras do estudo" que te rodeiam :) tenta lembrar-te disso e manter-te mais positiva (sem significar que baixas a guarda), porque isso afecta o teu dia a dia e tu pareces ser uma pessoa muito forte e com muito amor para dar, não podes deixar que os que te rodeiam mudem essa tua essência.

    Beijinhos, e vou "ler-te" com mais frequência

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