domingo, fevereiro 22

Pessoas Agridoces

«Saudade é um pouco como a fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. (...)» Clarice Lispector

Ele é frio. Mente com todos os dentes que tem na boca e não cuida daquilo que cativa. É cobarde. As mulheres são brinquedos nas suas mãos, no entanto nenhuma é suficientemente dele. Tem o rei na barriga. Mas foge de ser homenzinho sempre que a responsabilidade lhe bate à porta. No meio da vida feliz que leva, é infeliz. Quase que apostava os feijões todos do planeta em como tem saudades de tudo o que não tem. Apesar de se querer mostrar despreocupado com o que o futuro lhe reserva deita-se todos os dias na cama vazia de amor a pensar na mulher que não tem e nos anos que passam entre quatro paredes vazias de sentimentos nutridos por verdade.
Gosto de pessoas que são mais do que aquilo que pensam que são, mas que não deixam transparecer isso. Pessoas com sentimentos escondidos num cubo de gelo. Gosto de lhes fazer perguntas sem resposta low-cost  que desmascaram indirectamente a essencia que se esconde no fundo de um poço tão grande que poucos são aqueles com paciência para querer chegar lá.
Foi assim que me apaixonei, no silêncio de uma noite vazia mas inesquecivel, por uma pessoa má. Uma pessoa má o suficiente para me fazer querer absorvê-la até ao fim, só para o poder sentar à minha frente e dizer-lhe o quanto os seus defeitos escondem quem me tem feito perder o sono de há uns meses para cá.

Eu e a minha mania de querer descobrir pessoas boas onde elas não existem.

Patrícia Luz
23 de Fevereiro

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