segunda-feira, janeiro 23

- Bom dia. Amo-te!

- Bom dia. Amo-te!


Todos os dias quando acordo. 


Já não tenho jeito para declarações de amor. Às vezes acho que foi ele que me roubou as palavras todas que tinha guardadas para o dia em que me apaixonasse a sério, mas a verdade é que o meu pai me ensinou a deixar sempre para o fim aquilo que mais gostava e eu, feita parva, guardei as declarações de amor para vomitar no desespero de te perder. Mas depois quem me perdeu foste tu e por isso ficaram guardadas por mais um tempo.

Sabes, nós temos a mania de não deixar nada por dizer só quando já não podemos dizer nada. E eu, gostava de te dizer muitas coisas que penso, especialmente quando estás a dormir. 

Gostar de ti é uma merda. 
Quero começar assim para teres a noção que se não gostasse mesmo, já te tinha mandado à fava. 
Tirando isso, não me imagino a acordar todos os dias de outra forma. 

Acordar com a certeza que temos ao nosso lado a pessoa que Deus destinou para nós, dá-nos uma grande paz de espírito, sabes? E quando eu acordo todas as manhãs com a tua boca a respirar-me no ouvido, fecho os olhos só para os abrir de novo e ter a certeza de que estás aqui.  

Não tenho jeito para declarações de amor.

Prefiro deixar-te beneficiar dos quinze minutos extra na cama, nos dias gélidos de inverno em que sou a primeira a tomar banho. A levantar-me para ir buscar o comando da televisão de que te esqueceste na outra ponta da casa, na hora de a desligar para irmos dormir. Dormir despida, para poderes ter dez mil cobertores e eu não morrer asfixiada na sauna do teu pijama polar. Levantar-me para te aquecer a toalha de banho, nos dias em que poderia dormir em modo rocha até ao meio dia. 

Não tenho jeito para declarações de amor. 

Excepto quando o silêncio me ouve, enquanto te vejo dormir. 

Sou grata a Deus por te ter a abraçar a minha vida, todos os dias quando adormecemos - até mesmo quando não estás, até mesmo quando és um parvalhão. 

- Odeio-te! 
Há lá melhor declaração de amor.





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