quarta-feira, abril 10

um à parte

Há uma coisa que ando há imenso tempo para esclarecer e que tenho deixado passar em branco. Vou aproveitar hoje que a minha cabeça está feita num oito - e o coração também - para me deixar de babuzeiras melodramáticas, como é costume, e vos elucidar esta ideia. 
Quando escrevo, escrevo sobretudo para mim, para mim e para o meu bem estar pessoal; Assim como o surf já foi, esta é hoje em dia a minha terapia. Eu chamo-lhe assim, porque nos últimos tempos é o que me tem valido. Na verdade esta foi a forma que encontrei de fazer o balanço dos meus dias e parecendo que não há muitas atitudes ponderadas quando me sento deste lado e penso nas burrices que cometi ou nos actos de que me orgulho. Penso que toda agente devia fazer este teste a si mesmo. Contudo, muito dos assuntos que vêm parar ao meu blog não dizem apenas respeito a mim e muitas das vezes são meras histórias do além que me vêm ter à cabeça um bocado de pára quedas. Não tentem por isso, os mais cuscos, vir aqui encaixar-me nas entrelinhas e sugar-me as entranhas, porque muitas das vezes passo minutos e minutos a tentar encaixar-vos a vocês nelas e a expor aquilo que não vêem em vocês mesmos. Passa tudo um pouco pelas minhas vivências associadas ao que observo no meu dia a dia, nas atitudes das pessoas, em comportamentos que uns têm para com os outros, mesmo que eu e os meus conhecidos não façam parte da cena em questão. Claro que em tudo há um pouco de mim. Assim como em Álvaro de Campos haverá sempre um Fernando Pessoa e vice versa. 

Obrigada pelo feedback que nem têm deixado nos últimos dias, mesmo que em anónimo. Como disse um dia "a palavra é como um pau de dois bicos" e é sempre bom saber que conto com alguém desse lado. Um beijo,
Pat



terça-feira, abril 9

Um dia; um adeus para sempre.

Um dia...
Vais perceber que ela não te tirava da cabeça a cada segundo e que os dias demoravam séculos a passar só para te ver. Que as horas em que te divertias com outras, ela passava a olhar para o telefone à espera que te lembrasses dela. Que quando te desejava boa noite e tu adormecias no minuto seguinte, passava horas a ler os arquivos de mensagens de há dois anos as quais tinhas apagado uma semana depois e cujas não lembrarias mais. Que quando não te respondia às mensagens uma hora depois estava empenhada a estudar para que o verão tivesse três meses e não apenas um, perto de quem mais amava. Que quando ficava a dormir quando ias sair com os teus amigos, o mealheiro estava a crescer para estar bem perto de ti depois. Que quando todas as amigas iam às compras, ela vestia a moda o ano passado porque achava não precisar de agradar a mais ninguém além de ti. 
Um dia vais perceber que ela não era igual às outras. Maníaca por sexo, copos e rock&roll, que se vendia a troco de uma noite louca que no dia seguinte não ia mais lembrar. Ela trocava as noites de sábado perdida por entre o fumo dos cigarros, pelo quentinho da lareira ou uma mesa rodeada de amigos e boa música ambiente; as noites entregues às luzes da ribalta, pela lua como candeeiro e o mar como fundo. O rímel de um olhar falso pelo brilho natural que os olhares apaixonados tendem a ter. 
E nesse dia, desejo que não tenhas assentado os pés no chão e esperes pela mensagem dela num desses bares com música ambiente, enquanto os teus amigos foram sair. Quem sabe não aparecerá com alguém melhor que tu e a tenhas perdido, quem sabe, para sempre. 
(Na verdade, mulheres inteligentes não são burras para sempre.)





sexta-feira, abril 5

Tretas e Pessoas

Não tenho paciência para tretas. Coisas da treta, conversas da treta, comidas da treta e, especialmente, pessoas da treta. E não pensem que são poucas as que conheço, as que aturo e que tenho que gramar, especialmente ao almoço de sábado; o que vale é que é o típico dia em que durmo até ao meio dia e como normalmente vou para a mesa de olhos meio fechados não reclamo muito. 
Eu não gosto de pessoas com mania. E não falo de pessoas com mania só porque usam malas da channel ou sapatos xpto; na minha opinião isso não define a mania de ninguém, porque se eu tivesse uma pipa de massa fazia o mesmo, apesar de gastar uma parte dela a comprar sacos de rebuçados para os "meus" meninos da casinha cor de rosa - Refúgio Aboim Ascenção - por isso me fazer bem mais feliz. Mas isso sou eu. Eu falo daquela mania que se reflecte nas frases, na postura, no nariz empinado, no rabinho a dar a dar. Eu sei que vocês sabem a que me refiro e aposto que conhecem alguém de quem se vão lembrar neste momento. Tenho pena que a humildade não se faça notar mais.
São tão mais bonitos aqueles que se sabem ajoelhar perante as aparências e conseguem ter uma palavra de apreço e conforto para com todos aqueles que os olham de baixo para cima. 

«Não subestime ninguém,
Trate sempre com respeito.
A vida é uma dança das cadeiras;
um dia sentado; noutro, de pé.»
Fabricio Carpinejar 






Não tarda estamos de férias e repetimos a jantarada. Henrique B'day