domingo, abril 14

Fio condutor

Ela ama-o em silêncio. Jamais alguém saberá o que ambos sentem um pelo outro, porque nem eles próprios sabem bem. Ás vezes, um mais um torna-se numa soma complicada. Infelizmente, há algumas pessoas que não aprenderam a contar. E ela será sempre uma delas, cuja resposta sem qualquer hesitação será "um". "Um" de corpo e alma, dos pés à cabeça e da cabeça aos pés. "Um" por inteiro. 
Ela ama-o. Revivi-o em todas as musicas que ouve, encaixa-o nas entrelinhas do que lê e identifica-o em todas as fotos que tirou sem ele, por o ter todas essas vezes no pensamento. Quando chega todas as noites à cama, sonha acordada com o dia em que voltarão a estar juntos a sós, como da primeira vez em que ligaram o seu coração com um fio condutor que ainda não arrancaram do seu corpo por falta de coragem. Ela ama-o. Antes de sair de casa, põe o perfume que ele lhe ofereceu e veste a roupa que usava no dia em que se apaixonou. E embora ele não se lembre de nada disso, ela esperará em silêncio o dia em que se faça notar a sua falta, no ecoar daquela musica, naquele lugar que não era deles, mas é como se fosse. 
Ele ama-a. 
Eles não estão juntos. Ambos pensam o mesmo. Ambos esperam; em silêncio.



sábado, abril 13

Façam-me um favor: sejam felizes hoje.

Nós somos uns atrasados mentais com a mania que sabemos tudo sobre a vida. Falo por mim. Falo por mim para não meter o vosso nome ao barulho em vão. Porque na verdade eu acho que somos mesmo todos uns atrasados. Deixamos tudo para depois. Tudo o que podia ser o mais importante naquele momento para nós ou para os outros. O beijo roubado, as desculpas pedidas - quando o devem  ser -, o abraço com que se sonhou acordado na noite anterior quando deitámos a cabeça na almofada e o sono nos deu tréguas, o telefonema que ansiávamos receber mas que não fomos capaz de fazer, o orgulho a cima de todos os sentimentos, a vingança primeiro a compreensão dos actos depois... que merda! Será que ninguém é capaz de viver com os pés assentes no presente? No presente! Sem pensar no antes nem no que virá a seguir? Fazer tudo o que nos passa pela cabeça no momento. Beijar, abraçar e pedir desculpas. Dizer que não se gosta, que se adorou e que se quer mais! E ter mais! Ali, aliás, aqui! Aqui e Agora!

Ás vezes é bem feita que ela nos pregue umas partidas para nos mostrar quem manda. Nessa altura surgem os remorsos. "O que poderia ter feito" "O que devia ter dito" "O que ficou por dizer"... A vontade que ficou de algo que passou e não volta mais. 
Por isso, façam-me um favor, sejam felizes, hoje!



Queria deixar um especial beijinho de Parabéns à minha prima Mónica com votos de que a vida lhe sorria tanto como nós sorrimos hoje. Porque tudo o que quisemos fazer, não deixámos para amanhã. E a vida é isso, mesmo com atrasadas mentais como nós.





quarta-feira, abril 10

um à parte

Há uma coisa que ando há imenso tempo para esclarecer e que tenho deixado passar em branco. Vou aproveitar hoje que a minha cabeça está feita num oito - e o coração também - para me deixar de babuzeiras melodramáticas, como é costume, e vos elucidar esta ideia. 
Quando escrevo, escrevo sobretudo para mim, para mim e para o meu bem estar pessoal; Assim como o surf já foi, esta é hoje em dia a minha terapia. Eu chamo-lhe assim, porque nos últimos tempos é o que me tem valido. Na verdade esta foi a forma que encontrei de fazer o balanço dos meus dias e parecendo que não há muitas atitudes ponderadas quando me sento deste lado e penso nas burrices que cometi ou nos actos de que me orgulho. Penso que toda agente devia fazer este teste a si mesmo. Contudo, muito dos assuntos que vêm parar ao meu blog não dizem apenas respeito a mim e muitas das vezes são meras histórias do além que me vêm ter à cabeça um bocado de pára quedas. Não tentem por isso, os mais cuscos, vir aqui encaixar-me nas entrelinhas e sugar-me as entranhas, porque muitas das vezes passo minutos e minutos a tentar encaixar-vos a vocês nelas e a expor aquilo que não vêem em vocês mesmos. Passa tudo um pouco pelas minhas vivências associadas ao que observo no meu dia a dia, nas atitudes das pessoas, em comportamentos que uns têm para com os outros, mesmo que eu e os meus conhecidos não façam parte da cena em questão. Claro que em tudo há um pouco de mim. Assim como em Álvaro de Campos haverá sempre um Fernando Pessoa e vice versa. 

Obrigada pelo feedback que nem têm deixado nos últimos dias, mesmo que em anónimo. Como disse um dia "a palavra é como um pau de dois bicos" e é sempre bom saber que conto com alguém desse lado. Um beijo,
Pat