segunda-feira, abril 15

Este é para meninas

Borbulhas. Borbulhas é o tema de hoje. 
Daqui a uma semana haverá o evento do ano. Para que tudo esteja perfeito ela preparou as coisas com antecedência: escolheu os sapatos para ter tempo de treinar pela casa o modo correcto de andar com eles nos pés, para não fazer figuras tristes na hora h tropeçando em pedras imaginarias nem ter que os substituir pelas sandálias rasas do verão passado para aguentar a noite toda, comprou o vestido na loja inimaginável para que ninguém tenha igual, mandou fazer a bijutaria para salvaguardar qualquer imitação no resto da indumentaria tendo o trunfo na manga do "pelo menos isto ninguém tem igual"; Desenhou a maquilhagem a semana passada, pintou as unhas e escolheu a melhor pochette. Experimentou tudo de novo para garantir que era aquilo que iria usar e que não ia mais mudar de ideias. 
O que ela ela se esqueceu foi de ordenar às hormonas que se acalmassem durante os próximos tempos. E boing! A geografia do monte Everest mudou-se exactamente para o meio da testa. E coitada, não houve antecedência, nem cor de unhas que lhe valessem. Adeus ao vestido mais giro, ao andar elegante e às pedras preciosas sem igual. Nada disso substituiu o olhar atento dos críticos de serviço. 



E ela podia ser eu. Que tendo a ter uma sorte do caraças no que toca a hormonas aos saltos em vésperas de datas em que a cereja no topo do bolo faz toda a diferença; e como típica mulher não perco a oportunidade de abrir a cara para obras numa tentativa de socorrer o que ainda me resta. 
Que sorte! O que vale é que conseguimos sempre fazer pior..
Enfim, Cenas de gaja!



(Este texto foi inspirado numa conversa de várias raparigas e contém um bocadinho de cada. Espero que elas não me levem a mal :p )

domingo, abril 14

Fio condutor

Ela ama-o em silêncio. Jamais alguém saberá o que ambos sentem um pelo outro, porque nem eles próprios sabem bem. Ás vezes, um mais um torna-se numa soma complicada. Infelizmente, há algumas pessoas que não aprenderam a contar. E ela será sempre uma delas, cuja resposta sem qualquer hesitação será "um". "Um" de corpo e alma, dos pés à cabeça e da cabeça aos pés. "Um" por inteiro. 
Ela ama-o. Revivi-o em todas as musicas que ouve, encaixa-o nas entrelinhas do que lê e identifica-o em todas as fotos que tirou sem ele, por o ter todas essas vezes no pensamento. Quando chega todas as noites à cama, sonha acordada com o dia em que voltarão a estar juntos a sós, como da primeira vez em que ligaram o seu coração com um fio condutor que ainda não arrancaram do seu corpo por falta de coragem. Ela ama-o. Antes de sair de casa, põe o perfume que ele lhe ofereceu e veste a roupa que usava no dia em que se apaixonou. E embora ele não se lembre de nada disso, ela esperará em silêncio o dia em que se faça notar a sua falta, no ecoar daquela musica, naquele lugar que não era deles, mas é como se fosse. 
Ele ama-a. 
Eles não estão juntos. Ambos pensam o mesmo. Ambos esperam; em silêncio.



sábado, abril 13

Façam-me um favor: sejam felizes hoje.

Nós somos uns atrasados mentais com a mania que sabemos tudo sobre a vida. Falo por mim. Falo por mim para não meter o vosso nome ao barulho em vão. Porque na verdade eu acho que somos mesmo todos uns atrasados. Deixamos tudo para depois. Tudo o que podia ser o mais importante naquele momento para nós ou para os outros. O beijo roubado, as desculpas pedidas - quando o devem  ser -, o abraço com que se sonhou acordado na noite anterior quando deitámos a cabeça na almofada e o sono nos deu tréguas, o telefonema que ansiávamos receber mas que não fomos capaz de fazer, o orgulho a cima de todos os sentimentos, a vingança primeiro a compreensão dos actos depois... que merda! Será que ninguém é capaz de viver com os pés assentes no presente? No presente! Sem pensar no antes nem no que virá a seguir? Fazer tudo o que nos passa pela cabeça no momento. Beijar, abraçar e pedir desculpas. Dizer que não se gosta, que se adorou e que se quer mais! E ter mais! Ali, aliás, aqui! Aqui e Agora!

Ás vezes é bem feita que ela nos pregue umas partidas para nos mostrar quem manda. Nessa altura surgem os remorsos. "O que poderia ter feito" "O que devia ter dito" "O que ficou por dizer"... A vontade que ficou de algo que passou e não volta mais. 
Por isso, façam-me um favor, sejam felizes, hoje!



Queria deixar um especial beijinho de Parabéns à minha prima Mónica com votos de que a vida lhe sorria tanto como nós sorrimos hoje. Porque tudo o que quisemos fazer, não deixámos para amanhã. E a vida é isso, mesmo com atrasadas mentais como nós.