quarta-feira, maio 22

Coisas da vida #

Ás vezes a vida põe-nos à prova. Ás vezes.. como quem diz. Os últimos meses foram difíceis, mais do que o normal. Houve um turbilhão de sentimentos a apoderar-se de um corpo telecomandado que foi o meu. Ás vezes as coisas não correm como planeamos, as pessoas desapontam-nos quando menos esperamos e acabamos a dar por nós a lutar sozinhos contra a maré, a chorar no nosso próprio ombro e a falarmos com as paredes na esperança que digam que temos razão e que o caminho é em frente quando tudo nos quer prender ao passado. Que atire a primeira pedra a quem isto não aconteceu já. Coisas da vida. Coisas que fazem falta, que nos ensinam a lidar com as adversidades, com pessoas sem escrúpulos - que nunca vão deixar de existir -, connosco próprios. Comigo própria, essencialmente. Aprendi muito. Aprendi que ninguém é a última bolacha do pacote, que nunca devemos deixar nada por dizer nem nada por fazer; a amar mais e melhor enquanto é tempo, a desconfiar sempre das evidências, a respeitar e a impor respeito. Aprendi que ninguém é um dado adquirido, que desculpar é preciso quando a falta que alguém faz na nossa vida é maior que o erro que cometeu. Que as pessoas mudam. Que quem realmente gosta de nós, fica e faz tudo para nos ter de volta. Que o amor existe na distância e que a distância não é desculpa para nenhuma falta de amor. Que as coisas que foram feitas para dar certo, irão dar certo; e que as coisas que foram feitas para dar menos certo vão resultar naquilo que as pessoas querem que resulte... enfim, mil e uma coisas.
É triste que soframos com os erros dos outros. É triste e dói. Dói mesmo. Doeu mesmo. Há uma certa raiva assimilada à tranquilidade de uma consciência que não pesa, a minha. Ao menos isso. Sempre disse e continuarei a dizer que não desisto daquilo em que acredito e isso é o que me move até provas (claras) em contrário. Para mim o caminho termina no fim. Pode é ser mais ou menos longo.
E nunca se esqueçam, nunca amem mais alguém do que vocês próprios. Quando isso estiver para acontecer, parem e dêem uns passos atrás. Ninguém tem o direito de pisar a vossa essência e destruir os vossos sonhos. Se esse amor não vos trouxer felicidade, não é, com certeza, amor.
Hoje sinto-me melhor. Reescrevi o meu amor em papel reciclado e estou serena, atrevo-me quase a dizer, feliz.
Vai ficar tudo bem.

Patrícia Luz
música (Obrigada Sara, veio mesmo a calhar. Como me conheces!)





1) o meu cozinhado de hoje, 2)3) as típicas fotos de parva enquanto faço tempo pro minibus pra faculdade

segunda-feira, maio 20

Amores Perdidos

Adormecia a pensar nele todas as noites. Esperava uma mensagem que fosse durante dias a fio e na verdade ela nunca chegou. Chorava em silêncio e sorria fora de portas. Dormia para não pensar. Desligava o computador para não ver tudo o que não queria. Durante dias a fio, ela amava-o na esperança de ele voltar atrás com a palavra. Via-o em todas as frases feitas, letras de músicas, diálogos da novelas e filmes americanos. Havia uma raiva, um amor-ódio, uma melancolia, uma saudade, um misto moribundo de sensações e cheiros no ar. Os minutos passavam no vazio do tempo... os dias não faziam sentido. Ela precisava dele na sua vida; da voz dele, do toque dele, do cheiro dele. Dos bons dias pela manhã, do beijo de boa noite....
Escrevia mensagens infinitas que ficavam guardadas nos rascunhos, por falta de coragem, com medo da resposta.. Habilitava-se a enviá-las por entre os copos de noites perdidas, achadas nos soluços deixados em ombros de amigos próximos. "Tenho saudades tuas..."
O arrependimento vinha no dia seguinte... quando a resposta não vinha, sequer. Surgiam as dúvidas existenciais, as juras de futuros melhores... até as memórias atacarem, minutos depois.

Na verdade, do outro lado, passava-se o mesmo. Eles amavam-se. Eles sofriam. Eles não estavam juntos.
E sabem que mais? 
Eles não acabaram mais juntos porque um dia, um deles deixou o poço da solidão sentimental e seguiu com a sua vida. Para sempre. Final feliz. 



(Hoje alguns olham para trás e continuam presos ao que deixaram fugir)

Patrícia Luz


domingo, maio 19

Clubismos


Clubismos. Esta treta que existe desde que me lembro..
Quando era miúda, era tema em todos os almoços ou jantares de família, conversa de natal, de páscoa e carnaval; discussão acesa. O meu tio e avô, lampiões assumidos faziam-me promessas de cachecóis e jogos ao vivo no estádio, por entre piadas destrutivas de leões e lagartos; o meu pai explicava-me a essência de ser verde de coração, contava-me as origens dos jogadores que fizeram história aqui e além fronteiras, sempre dizendo que melhor que qualquer clube que pudéssemos escolher era perceber o quão bonito podia ser aquele grande desporto no nosso país, sempre lembrando outros, não menos importantes. E todos os anos era isto.. 
Um dia, preguei-lhes um susto valente. Assumi perante ambos que era do porto porque o céu era azul e grande e assim podia sempre olhar para ele. Coisas de miúda, naquelas alturas em que todos os nossos amigos nos dizem que o sangue é vermelho e sem ele não podias viver, e que as árvores são verdes e criam oxigénio. E durante tempos as discussões passaram a troça, e a chantagens baratas do "então já decidiste mudar para o melhor clube de sempre?" ou "Tenho uma prenda pra ti ali no carro quando deixares esse clube feio". Valeu-lhes o susto! E demorei a fixar-me no meu clube do coração. Era uma verdadeira troca tintas! Cheguei a ser do sporting quando estava com o meu pai, do benfica quando viajava na carrinha do avô e nos dias que ia com o tio ao café, do porto para os meus amigos. Uma vergonha! Ou não. Na verdade não passavam apenas de cores, nessa altura.

Escrevo isto num dia critico para alguns e festivo para outros. Lembrando-me do meu avô, do meu tio, do meu pai e daquilo que me diziam e, agora, comparando-o com o meu mural do facebook vejo que poucas coisas mudaram. Os insultos continuam, as criticas ao outro também. O futebol tem-se tornado cada vez mais num desporto canibalista. É cada vez mais o espelho da sociedade em que vivemos, do portuguesinho, do mau perder, da má formação e educação... enfim.

São escolhas. Respeitem-nas e amem-nas à sua medida, na hora da sorte e do azar, porque é isso que move todo o tipo de jogo. Fair Play e mais amor que ódio. É isso que nos falta, sejamos verdes, vermelhos, azuis, pretos aos quadradinhos, amarelos, azuis ou laranja.