quarta-feira, outubro 16

Reticências

É estranho. É bom... 
Sabe bem esta liberdade amarrada. Controverso, não? Ás vezes somos só nós a pensar na nossa vida, outras a imagina-la completa com o que falta, que na verdade é muito pouco, mas faz toda a diferença, talvez. Talvez porque aparentemente não tem feito, talvez porque de vez em quando há um friozinho na barriga que nos prende a alguém que nos desperta interesse. E como isso é raro, para mim, "talvez" é a medida certa. Se é que é preciso medida... 
Na verdade, não ter medida é a medida certa. Passamos tanto tempo a pesar atitudes para não magoar quem faz(ia) falta na nossa vida e afinal de contas, algumas dessas pessoas fogem-nos das mãos de livre e espontânea vontade, que na verdade é mesmo isso, não ter medida é a melhor solução. Dar e esperar que volte, se tiver que voltar. Não ter grandes expectativas,  mas não deixar nada por dizer, nem nada por fazer. Os sentimentos existem para viajarem de pessoa para pessoa, não para serem amarrados e amordaçados como se tivessem que cumprir pena suspensa injustamente. A vida é cruel, o amor mais ainda. Ou então não...
Há um dia em que nos fartamos de beber limonadas. E que sorte...! A altura das laranjas pode estar a chegar e o mundo vai mudar. As pessoas não; a história fica para sempre. Mas também continua... 
A parte boa da vida é poder escrever sempre mais uma linha. E outra, e outra, e outra... 
Sabe bem: sabes bem.

«Tudo a seu tempo tem o seu valor»

Patrícia Luz
15 de Outubro 2013, ao som de John Legend.




quarta-feira, outubro 2

«Fica»

Fica - dizia.
Fica mais um pouco, a noite inteira talvez. Até ser dia...
Vai, se tiveres de ir. 
(Fica.)
Fica.

«Fica» é talvez a palavra mais complexa que conheci nos últimos tempos. Consigo encaixar-lhe o universo das palavras inventadas e mais algumas. Mil e um sinónimos e significados.
Fica. Fica Comigo, fazes-me falta, és boa companhia, preciso de ti, fazes-me sentir bem; Fica, não vás, não me deixes só, só mais um bocadinho... Tantas coisas. Tantas coisas em quatro letras. 

«Fica», naquele tom de suplico despreocupado de quem diz "vai" mas "não vás", é das palavras mais bonitas que entrou no meu dicionário nos últimos tempos. No fundo, tem mais amor (carinho, amizade, cumplicidade, ternura, intimidade...) do que a palavra amor que, com iguais quatro letras, tem vindo a matar a felicidade humana ao invés de ganhar a força infinita de construir a maior tristeza que é amar de lágrima no canto do olho e coração a transbordar de borboletas todos os dias da nossa vida.

(Nos últimos tempos..)
Eu deixei de gostar do «amor».
Eu amo o «fica», agora.
Sem horas, sem minutos, sem sentimentos.. (nem que seja) em silêncio.

Patrícia Luz
ao som de Ben Howard.





sexta-feira, agosto 23

A vida

E talvez os meandros da vida estejam à espreita para nos pregar partidas e sustos por entre curvas apertadas e despistes a fundo sem que estivéssemos  à espera. Ou talvez nao seja nada disso. Provavelmente esperam-nos rectas para acelerar a fundo e fugir dos medos que nos assombravam a estrada. E se nao for nada disso é como uma pista de karts onde nos divertimos a brincar com tudo isso como se nao houvesse amanha. A vida é isso. Uma coisa que pouca gente sabe bem como conduzir e toda agente conduz sem saber.
Pelo menos a minha é assim: uma merda com curvas de morte e rectas de amor eterno. Que se lixe!