segunda-feira, novembro 4

O homem ideal

Estou farta de ouvir falar em príncipes. Que teorias da treta que as mulheres arranjam para dizer que querem um homem que as ame a preceito. Se ser príncipe fosse um padrão, iam-me dizer o quê, que gostavam que os homem fossem todos iguais?
Bem... sempre se invertiam as tendências, o que já não era nada mau. 
O homem ideal está longe de ser um príncipe. Primeiro porque os príncipes de verdade são homens de carne e osso e por isso erram e tem defeitos à flor da pele, e depois porque ninguém vai querer roubar à gata borralheira ou às outras todas semi-princesas aquele que fez tanta gente chorar em tenra idade os finais felizes para sempre que, em boa verdade, tendem a extinguir-se. 
O homem ideal é outra coisa. E tantas vezes o "outra coisa" comporta tantos erros e defeitos, que só por isso já teríamos que inventar uma palavra para designar aquele que nos preenche a alma, pelo menos naquele momento.
O homem ideal não precisa de ser rico. Desde que seja uma rica coisa nós já nos contentamos. Não precisa de falar mil línguas e conhecer os melhores lugares do mundo, desde que nos saiba dizer em bom português tudo o que sente no sitio certo à hora certa. Não precisa de ser bonito: se todos os seus poros respirarem beleza, vai-nos interessar o quentinho do coração e não o verde dos seus olhos. É humilde e atencioso. E querido, e inteligente, e misterioso, e sincero em todas as palavras porque o olhar translúcido não o deixa mentir. É surpreendente e desafiante. Educado e carinhoso. Fiel e de confiar. É ouvidos, e olhos e boca; é corpo e alma. É mensagem de bom dia e beijo de boa noite; é surpresa a meio do dia. É camisa branca e calça preta; e perfume inconfundível. É amigo antes de qualquer outra coisa. É amor antes de o ser.
O homem ideal é assim: não precisa de mostrar que é melhor que todos os homens à face da terra, porque se for mesmo o homem ideal.. bem.. se for mesmo o homem ideal mais nenhum precisa de existir. 

Se fores tu, fica.

Patrícia Luz
3 de Novembro de 2013







sábado, novembro 2

Quero escrever sobre nada.

Quero escrever sobre nada. 
Quantas são as vezes em que o quero fazer e não consigo. Sentar-me aqui a olhar para esta tela branca tira-me do sério. Deveriam existir cadernos dentro das nossas cabeças para escrevermos às escuras; ou para guardar o que nos passa por ela nas noites em claro a pensar em mil e uma coisas que fazem todo o sentido naquele momento, ou não. São tantas as vezes que escrevo crónicas de amor infinito antes de adormecer, que guardo um ódio infinito a mim mesma quando não lembro mais no dia seguinte aquelas que eram as palavras mais do que acertadas para descrever o que queria deixar fugir cá para fora. Nessas alturas lembro-me de Fernando Pessoa. Se bem me lembro dos tempos de escola, ele dizia que a escrita não podia ser desenhada no momento em que sentimos tudo de todas as maneiras. Que era preciso guardar saudades invisíveis para conseguirmos pensar sobre elas, deixar crescer dentro de nós o bichinho do sentimento falhado para conseguirmos sentir o que queremos realmente dizer, ainda que tarde, mas a bom tempo. Não podia estar mais de acordo. Quantas vezes quero descrever a raiva que sinto e a própria raiva me faz engolir tudo a seco? Quantas vezes há um amor desmedido a fervilhar-me nos dedos e nada sai com a intensidade com que pensamos nas coisas? De certo que me tornaria na pessoa mais pirosa à face da terra se fosse descrever tudo o que me passa pela cabeça nesses dias bons... era de dentro para fora, se o conseguisse realmente fazer como sonho nas palavras que os meus sentimentos murmuram por vezes. Quantas vezes há medos? E medo do medo de escrever à cerca dele ... Quantas vezes há certezas incertas? E sentimentos falhados que acabam por fazer sentido? ... 
Agora que penso, ainda bem que, às vezes, os bloqueios mentais existem. Escrever sobre nada podia revelar-se num tudo bom de mais para ser verdade. 

Patrícia Luz
2 de Novembro de 2011


 outfit de hoje
Praia de Faro, "hello november!"

sexta-feira, novembro 1

Ter algo

algo
pron. 
1. alguma coisa, qualquer coisa;
adv. 
1. um pouco, um tanto.


Tem algo. Como pode uma palavra tão pequena explicar tanta coisa? Não sei bem. Ter algo é tão suficientemente bom que descrever seria limitar e se há coisa que eu penso que não tem limites é o algo que encontro em ti. Um dia escrevi que havia pessoas mágicas; na verdade não sei bem o que escondes dentro de ti e, para ser sincera, se uma parte de mim quer saber tudo a outra não quer saber nada, por agora. Sabes quando há um brilho invisível nas pessoas que te faz querer tê-las na tua vida o maior tempo possível para iluminar o teu caminho? Não é nada disso. É melhor. Bem no fundo dos teus olhos quase que seria possível explicar isso, se conseguisses explicar alguma coisa do que eles dizem. Também eles têm algo
Talvez verdade, mentira, segredo, medo, dúvida e certeza (repara no algo que está nas entrelinhas da última frase: é isso mesmo que quero dizer). Lá estou eu a limitar... 

Enfim. O que queria mesmo dizer é que pessoas com algo não se encontram ali ao virar da esquina, por isso estou feliz por te ter encontrado. 

Patrícia Luz
1 de Novembro de 2013