quarta-feira, novembro 20

Faz frio aqui.

Faz frio.
Gélidos, os meus pés competem com o coração. Que bate, como eles na cadeira onde me sento, de ansiedade. É assim que ora escrevo, um bocado morta-viva de sentimentos. No lusco fusco de sempre do meu quarto - e da minha vida - ecoa, como em todas as noites em que aqui me perco à tua espera, a música que me ocupa a mente de demais pensamentos atrozes àquele que é o teu silêncio. Já te disse como odeio o silêncio? O teu. Nunca. Faz frio. Guardo-o. Vou guardá-lo sempre. Também em silêncio, porque é assim que deve ser; nunca poderia ser de outra forma.
Sinto-me estúpida. Aqui sentada, à espera, de nada. Quantas vezes nos sentamos assim à espera de alguma coisa a que chamamos nada para não sofrer o dissabor de ser mesmo isso, nada?! Fazes-me falta aos bocadinhos. Já disse isto não já? Que estúpida. Há coisas que nunca deveríamos dizer. Tinhas razão. 
Não me fazes falta nenhuma. Maldita a hora em que entraste na minha vida, na minha cabeça.  
MintoMinto... Minto... 

Simpatizo contigo. E isso era o que eu temia...


Patrícia Luz
19 de Novembro de 2011




Fotos: Filipa Marques (www.behance.net/philipa-marques, visitem!)

segunda-feira, novembro 18

Às sortes e às mulheres

Ao meu querido irmão
 e a todos os homens que amo e que ainda não encontraram a mulher das suas vidas.


Desejo-vos sorte. 
Tirei este bocadinho para vos dirigir palavras de coragem porque vão precisar delas. Assim como também eu precisarei enquanto não encontrar alguém que seja a metade da minha, ou até perceber que esse alguém está mesmo aqui ao lado (como a maioria das vezes está e pouca gente se dá conta). Mas não vos venho falar de homens. Quem melhor que vocês para se auto-conhecerem e saberem cuja matéria vos compõe e vos faz tão importantes na nossa vida, mesmo quando metade de nós, mulheres, vos desvaloriza por darmos primazia aos desgostos que todo o ser humano sofre. Também tenho esses dias. Mas ainda não me apeteceu abater a vossa espécie porque a vida faz todo o sentido convosco por cá a dar-nos dores de cabeça e dissabores, flores ao pequeno almoço e noites de amor ao jantar. Tiro-vos o chapéu. Mas desejo-vos sorte. 
Desejo-vos sorte porque a vida começa a estar complicada para vocês, a vida.. o amor, as relações. Nos últimos seis anos isto deu uma reviravolta que eu não acompanhei bem, por andar ocupada sabe-se lá com quê. Parece que as mulheres tanto quiseram ser como os homens, por tanto os odiarem, que hoje existe uma colectânea de seres a quem não sei bem que nome dar.  Quando o pai se sentava à mesa com a mão apoiada no teu braço com todo o carinho e amor que um pai tem em ver o seu único filho ser feliz e realizado no campo amoroso e por vezes te dava palmadinhas nas costas alertando-te para o perigo que era o sorriso das mulheres, não percebia bem o que queria ele dizer e ficava pensativa, mas hoje lembro-me muitas vezes dele quando saio às quintas-feiras e Sábados à noite e percebo o que está por trás daqueles lábios vermelhos e curtos vestidos de que se fazem acompanhar na tentativa de desviar as atenções daquilo que nenhum de vós verá a olho nu. 
A isso chama-se essência. E essência, actualmente, poucas mulheres têm. 
Desejo-vos sorte porque mulheres cuja cultura lhes saia pelos olhos muito antes de abrirem a boca, a inteligência transpareça em todos os seus gestos majestosos e a ousadia seja um mistério que fica por descobrir nos olhares que pairam no ar, já não se encontram ali ao virar da esquina, como quem decide comprar companhia casual com luxo. Porque luxo é encontrar uma mulher dessas nos dias de hoje, quando a maioria das mulheres virou montra de loja: chamativas por fora e ocas por dentro. Baças no segundo encontro porque o brilho que tinham na noite anterior fugiu quando chegaram a casa e pegaram o gel desmaquilhante, frias e distantes porque o que tinham visto em vocês fugira com o desvanecer do álcool nas suas veias; hipócritas, oportunistas e fúteis quando ao lado da vossa scooter, que tinha tudo para ser o veiculo do amor para eternidade, passar um dos vossos, quem sabe, talvez, amigos de bmw ou mercedes e isso merecer atenção redobrada. Burras quando trocam aquele que seria o homem das suas vidas por alguém que com dois dedos de conversa as leva a desafiar o amor que outrora tinham, por desejos momentâneos que não sabem controlar e quase sempre as deixam em piores lençóis do que aqueles em que se deitavam sempre com um beijo de boa noite e torradas ao pequeno almoço.
Por isso, escuta-me. Escutem-me. Se tiverem a sorte de encontrar a essência certa das vossas vidas, guardem-na com força. Tratem-na bem. Amem-na todos os dias como se fosse o último e não deixem nada por lhe dizer, nem nada por fazer, porque meus amigos, em época de "guerra", pensem:
Quantos cães andarão à procura do mesmo osso? 

Desejo-vos sorte...
Que ela esteja do vosso lado, porque vos amo.

Patrícia Luz 



Foto: Filipa Marques (www.behance.net/philipa-marques, visitem!)

quinta-feira, novembro 14

Ria-se





... Ria-se. 
Que bom que era vê-la rir assim. Perco-me no tempo se me puser a pensar há quanto não a via ser feliz daquela forma. Feliz não, sincera. Sincera consigo própria. Porque feliz é uma palavra complicada, assimétrica, relativa. E aquilo era tudo menos relativo. 
Era absoluto. Ela ria-se sem saber bem porquê. A sinceridade das atitudes também é assim, não acham? Não se pensa bem nelas, acontecem e seja o que Deus quiser. Ela ria-se. 
Ria-se de corpo e alma. Poucas pessoas o conseguem fazer, mas ela... nem sei. Os olhos tinham virado boca: eles falavam em todas as dimensões, a boca estrelas: o sorriso dela era desconcertante, a barriga um turbilhão de coisas: borboletas stressadas, abelhas chateadas, corações ofegantes; sentia-o ao longe. 
Estava linda! 
E podia nem estar. Mas naquele momento eu vi verdade - uma luz invisível que algumas pessoas têem -, e se ela era verdade naquele misto de emoções que transmitia sem querer, então eu podia amá-la para o resto da minha vida.


(Momentos)

Patrícia Luz
14 de Novembro de 2013