quarta-feira, fevereiro 19

quinta-feira, fevereiro 13

valentines


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Quero escrevê-lo. Mostrá-lo a um mundo que anda cego. Cego o suficiente para não entender o que é o amor. O que o amor tem de melhor. A um mundo que o procura e não se deixa levar por ele. Eis o grande problema: Procurar o amor. Um amor procurado quase nunca o é. Há coisas na vida que devemos deixar livres; livres o suficiente para que ela se encarregue de nos presentear com o que tem de melhor para nos dar.  Eu acredito seriamente nisto.

Já ninguém acredita no amor puro e duro. Já ninguém arrisca arrancar o coração do peito e colocá-lo nas mãos de alguém. Há sempre reservas. Escudos. Há uma descrença total nas pessoas, no sentimento delas para connosco. Há sempre reticências e histórias mal contadas. A sinceridade tende a não existir na sua totalidade e claro que tudo isto é antónimo daquilo a que gostaríamos de chamar amor. 
Já ninguém faz tudo por alguém, mas devia. O medo de cair tudo num saco sem fundo é aterrador e poucos se dão ao luxo de tentar. Mas deviam. Repito.

O amor além de um sentimento, é uma crença. E como em todas as crenças se não acreditarmos nelas com tudo o que temos, elas nunca vão passar disso mesmo. Há que vestir a pele do amor. Há que querer a outra pessoa todos os dias ao nosso lado, de corpo e alma. Há que acreditar, mesmo que lá bem no fundo duvidemos um bocadinho de tudo o que nos rodeia, que tudo o que fazemos um dia voltará para nós. 

Por isso, se gostam suficientemente de alguém, não a deixem passar pela vossa vida sem que também vocês possam fazer um bocadinho parte da dela. Mimem-na como gostariam que ela o fizesse convosco. Desejem-lhes os bons dias todas as manhãs das vossas vidas e agradeçam a Deus a possibilidade de as boas noites e os bons sonhos estarem à distância de uma mensagem, se não poderem estar mais perto. Digam-lhes a falta que faz na vossa vida, o quanto gostam dela naquele momento ou o quanto o seu sorriso pode mudar o vosso dia. Sussurem-lhe no ouvido os vossos desejos e nunca deixem para amanhã o que podem fazer hoje. Falem ordeiramente sobre o que poderá estar mal. E tentem melhorar isso entre vós. Não contem a vossa vida amorosa a meio mundo. Porque meio mundo estará desejando que se desentendam e, acima de tudo, sejam verdadeiros convosco próprios. 

O amor não é mais do que atitudes. 

Deixem de se lamentar sobre o dia dos namorados e preocupem-se mais em fazer alguém feliz todos os dias. Porque não é um namorado que faz falta na nossa vida, o que faz falta na nossa vida são dias suficientemente ricos ao lado de quem nos faz bem. 

Patrícia Luz
13 de Fevereiro 2014
fotos por Filipa Marques (www.behance.net/philipa-marques)





segunda-feira, fevereiro 10

Ela é ...




Ela é um misto de mil coisas. É o equilíbrio entre o tudo e o nada. É o adeus e o fica. O avesso é quase sempre o seu lado certo. Ela é mistério; é segredo. Vai deixar-te muitas vezes a pensar que o seu lugar é do outro lado do mundo quando no fundo quer estar o maior tempo possível ao teu lado. Vai corar cada vez que lhe disseres coisas que a deixem embaraçada e olhar os botões do teu casaco quando quiser esconder um olhar triste ou um sorriso secreto. Vai segurar a tua mão como ninguém. Ela adora mãos. Vais perceber isso. Vai encorajar-te a ir sempre que o seu desejo for que fiques. Vai desejar-te sorte quando achar que sorte é tê-la na tua vida. Ela é o medo e a mudança. A incerteza e a confiança. Ela é amor dos pés à cabeça. Ela é frágil quando ninguém está a ver. A sua protecção é a dúvida de há uns tempos para cá. Ela é mar. E chuva, e música.. e silêncio. Ela é jazz, bossa nova, chá e voodka preta. É piano, livros e meia-luz. É chocolate negro e frutas tropicais. É simples e contenta-se com pouco. Mas sempre com o melhor. Ela é distraída, mas aprecia pormenores. Não se vai esquecer do dia em que te viu pela primeira vez nem da mensagem que a deixou a rir para o telefone com o coração na boca. Ou da música que passava naquele momento. Não é romântica, mas sabe surpreender, ou pelo menos tenta. O que já não é mau. É atenta. E por vezes faz-se de desentendida. É mais ouvidos que  boca. É ciumenta, mas não conta a ninguém. É ironia e riso fácil. Protectora ao extremo de quem ama,  mas desleixada ao máximo com os amigos. Péssima com datas de aniversário. Fria, mas sincera. Vai ser a primeira pessoa a recusar um jantar de sushi, chinês, tailandês ou até mesmo um café. Mas se quiser mesmo ter-te na vida dela montará uma cafetaria se for preciso. Se te quiser mesmo na vida dela, não vai ser fácil, mas vai valer a pena. Ela perdoa mas não esquece. Pensa com o coração e age com a cabeça. E é isso que a trai muitas das vezes. Erra em não querer errar; em pensar de mais no bem dos outros. Em dizer tudo o que sente. Há quem já lhe tenha chamado "a menina com a mão no coração", mas o que é certo é que já foram mais as vezes em que andou com o coração nas mãos.
Ela é vestido preto e salto alto; sweat xxl e ténis rotos. É pé descalço e unhas por pintar. É trabalho e força de vontade. É amor em todas as pequenas coisas que faz. Ela é o ontem e o hoje, porque o amanhã pode não chegar. Não recusa uma boa aventura e é louca o suficiente para fazer tudo o que lhe vai na alma.
Ela é olhar penetrante e beijo na boca. É abraço apertado e segredo no ouvido. É sorriso na boca e tem mil histórias para contar. Reinventa-se todos os dias. Só lhe custa pôr algo na cabeça. Porque quando decide não há retorno. Garanto.  É um poço de orgulho e não troca o certo pelo incerto. Mas arrisca sempre que possível. Já acreditou mais no amor eterno. Mas defende-o sempre que pode. Nas adversidades tenta ver o lado positivo das coisas. Mas se tudo correr mal... 

Ela acredita que "Vai ficar tudo bem".

Patrícia Luz
9 de Fevereiro de 2014