quinta-feira, março 20

O amor é mesmo isso

Sabes que fizeste merda quando deixaste o coração comandar a cabeça e escreveste aquilo que não devias. Quando matutas nisso dias a fio. Te martirizas a ler aquilo que pensaste, que disseste, que sentiste.. naquele momento pouco forte da tua sanidade mental. Que não querias ter dito, embora quisesses muito que se soubesse. Que apesar de gostares, não devias. Que sabes que não devias - o pior de tudo ainda é isso, é saber que não devias. Porque te faz mal, quando gostavas tanto que te fizesse bem. De que te queres livrar como quem amarrota uma folha de papel e a atira ao lixo no mesmo instante em que escreve um erro na primeira linha. Mas que no fundo querias abraçar com força e não deixar fugir mais, porque essa podia ser a primeira palavra do resto da história. Desta história sem história; ou dessa história sem fim. Sabes que fizeste merda quando não fizeste merda nenhuma e te encontras a encontrar explicações para nada.
Redundante, não achas? 


Confuso. O amor é mesmo isso. 

Patrícia Luz
19 de Março de 2014



sexta-feira, março 7

Porquê?


- Que se passa?
- Não aguento mais... tenho estado o tempo todo a aguentar, mas não aguento mais.
   (...)

- Valoriza-te miúda! Tu és linda por dentro e por fora! 
- Não entendo. Porquê a mim? (...)
- (...) Não chores mais pff. 
- Porquê a mim? Porquê? Porquê?
- (...) 
- Eu sou um cabrão.


Ele não o era. Nem ele nem ninguém naquela conversa, mas foi assim que pela primeira vez na minha vida ouvi alguém admiti-lo. Houve tanta verdade naquela mentira, ou tanta mentira naquela verdade que nem sei bem no que acreditar.  Não quis acreditar em nada naquele momento, para ser sincera. Mas tranquilizou-me. Nunca o tinha ouvido da boca de ninguém na primeira pessoa do singular. Quereria ele dizer que todas as pessoas lindas por dentro e por fora que choram por alguém, é porque esse alguém é um idiota? Culpabilizara-se por todos os idiotas do planeta que me faziam estar ali naquele momento? Não sei bem. Mas obrigada. 
Bem longe ouvia a música que se difundia pelas paredes daquele cubículo onde me refugiei do mundo. Não precisava de mais nada. Além de ti, que tinhas sumido, só de chorar. A vodka circulava-me no corpo, como as lágrimas que me rolavam pela cara. A mil à hora. Os olhos fechavam-se sofregamente intervalados pela magoa de não entender que mal poderia eu ter feito a Deus. Senti-me vazia. Estúpida. Traída pela verdade. Humilhada. Sem forças. Sem norte. Sem chão. Pudera eu arrancar o coração do peito e esquartejá-lo pelo mal que me fazia naquele momento. Pelo mal que me tem feito.
Porquê a mim? Porquê? Porquê?
(...)

Patrícia Luz
7 de Março de 2013
ao som de Majestic 





quarta-feira, fevereiro 19