Comunicado ás pessoas que pensam saber mais de mim do que eu própria (parte II).
Enganam-se.
Esta é a palavra certa para começar aquilo que tenho para vos dizer. Primeiro porque a maioria não me conhece - talvez o devessem tentar fazer primeiro -, apesar de acharem que sim. Depois, porque as entrelinhas onde me tentam muitas vezes encaixar, são o sitio onde eu vos tento encaixar a vocês.
Não vale a pena virem tentar sugar-me as entranhas e descodificar a minha vida por entre as palavras que aqui escrevo. Sim, tu. Porque nem tudo o que parece é. E ninguém minimamente inteligente quer falar do que não quer que se saiba sabendo que as paredes têm ouvidos. Deixa-te disso.
Deixem de se preocupar com a minha vida. Isso é sinal que a vossa não vos dá trabalho suficiente. Ela está bem de saúde e recomenda-se. Deixem as invejas mesquinhas, os filmes melodramáticos e tridimensionais que essas vossas pequenas cabecinhas fazem ao vir aqui achando que um mais um é igual a dois. Mentira. Neste meu canto um mais um dá o resultado que eu lhe quiser dar. Isto é um conselho para a vossa saúde mental.
Isto porque com sorte amanhã acordo com vontade de escrever ao meu namorado imaginário e ainda mato alguém do coração sem querer.
Não me arranjem amores e dissabores. Fabriquem o vosso que isso é que faz falta. E já agora façam-no com alma e coração: não é com a alma num sitio e o coração no outro.
Releiam-se em vez de me ler, porque esse é o meu propósito.
A quem as palavras têm de encaixar não é preciso um desenho.
A consciência pesa a quem a tem. E a esses, sim, as minhas palavras não têm contornos.
Um beijo,
pat