quinta-feira, junho 19

“ISSO QUER DIZER QUE VAIS VOLTAR PARA ELA?”




Vou escrever para duas pessoas que não conheço.

Vou escrever para duas pessoas que não conheço na esperança de nunca conhecer pessoas iguais; e na esperança de nunca me vir a tornar numa delas, porque a vida dá voltas e nós nunca sabemos o que o futuro nos reserva – apesar de isso não ser desculpa para a falta de valores e bom senso, para a falta de educação, para a falta de humanidade. Porque apesar de eu acreditar que o destino nos reserva muita coisa, há coisas que ainda somos nós que lhe ensinamos.

Vou escrever para duas pessoas que não conheço com o coração nas mãos. Com o coração na boca e nos dedos. Com o coração em todo o lado porque foi assim que o senti quando as conheci sem as conhecer. Vou-vos escrever com o coração a saltar-me no peito de dor, de raiva, de tristeza, de tudo e sei lá mais o quê. Vou-vos escrever com as lágrimas nos olhos, como as que me escorreram à pouco pela cara enquanto entrava no meu carro rendida à impotência de não poder roubar aos país aquele menino de palmo e meio que vi segurar a mão de dois adultos que discutem sem olhar a quem.  

Vou-vos escrever com mágoa. Com mágoa do amor morto. Do amor podre. Do amor que não é amor. Vou-vos escrever em nome do divórcio e das famílias sem nome digno que minam a nossa sociedade. Vou-vos escrever… Vou-vos escrever …

Vou-vos escrever a impotência de um menino de palmo e meio, que vê os pais levantarem a mão um ao outro em plena rua, desavergonhados perante a luz de um shopping que ainda se encontra aberto, em nome do adultério, em nome das “outras”, em nome de tudo menos do pequeno. Vou-vos escrever com a vontade de o abraçar, de lhe tapar os olhos e os ouvidos e de lhe garantir que foi só um pesadelo.

Mas não foi.
(Antes fosse)

Escrevi-vos na esperança de nunca vos conhecer iguais. A vocês que me lêem.
Também eu já tive palmo e meio. E ninguém me abraçou.

Patrícia Luz
18 de Julho de 2014





segunda-feira, junho 16

Os amigos não são para as ocasiões




Os amigos não são para as ocasiões. Não são para dar a palmadinha nas costas e irem andando com a sensação de dever cumprido. Os amigos nunca têm o dever cumprido. Os verdadeiros amigos vão cumprindo o dever de o serem em todas as ocasiões. Mesmo quando chove. Mesmo quando chove torrencialmente. Os verdadeiros amigos andam na chuva mesmo que isso lhes valha uma constipação terrível. Porque não há constipação que não se cure com um amigo ao nosso lado. E os verdadeiros amigos são-no reciprocamente.

Tenho poucos amigos. Muito Poucos. Isto porque decidi coleccionar amigos interessantes.

Os interesseiros resolvi descartar da minha vida logo à partida. Não há paciência. Não há paciência para sorrir com facas atrás das costas. Não há paciência para me fazer de burra todos os dias e deixar passar em branco os olás cínicos proferidos daquelas bocas que me cumprimentam com desdém a quem as vê nas minhas costas. Amizades cruéis e fúteis coleccionem-nas vocês porque eu não quero amigos assim.

 Vendo-os a quem os quiser. Não os dou porque não vos desejo mal nenhum.

Eu não tenho muitos amigos. Mas tenho os melhores.

O meu telemóvel não toca todos os dias. Muitos deles nem toca. Não tenho combinado um café por dia. Mas todos os meus amigos sabem perceber quando preciso de um. Mesmo não gostando de café. Todos os meus amigos são-no porque eu permiti.

Sim. A amizade permite-se. Permite-se. Respeita-se. Rega-se. E colhe-se.

Escrevo-te para te dizer que os amigos não são para as ocasiões. E se permiti que o fosses foi porque acreditei que o fosses ser na mesma medida. Talvez me tenha enganado. Caso contrário, fazes-me falta.  


Tomamos café? 
Por ti talvez aprenda a gostar de café americano. 



Patrícia Luz
16 de Junho de 2013
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domingo, maio 25

Mensagem a todos os amores 50% não correspondidos





«Tu gostas mesmo dele. A tua cara diz isso.»
 «Gosto. Gosto mesmo. Mas azar...»

Azar é ter um amor cinquenta por cento não correspondido. Azar o teu e o dela. O meu e o dele. E não sei quem tem o azar maior. Gostar realmente de alguém é dizê-lo a toda agente sem abrir a boca. É querer gritá-lo ao mundo em segredo. Não querer correr riscos, mas arriscar a vida por alguém se for preciso. É adormecer a pensar que se vai acordar no dia seguinte com a pessoa na cabeça e ainda assim ter medo do subconsciente nos presentear com noites mal dormidas. E hoje já pouco se gosta de alguém assim. Como gosto de ti.

Hoje gostar de alguém é uma treta. É uma fachada. Um jogo desleal. São mais as palavras que as atitudes. É maior o tempo de desamor que o de felicidade. São as borboletas no estômago sem retorno. E as músicas sem destinatário. É a cama vazia e as redes sociais cheias demais...de pessoas e sentimentos desnutridos. São beijos de olhos abertos e amor sem sentimento.  Aliás, sexo.
E eu não quero gostar de ti assim.


Por isso,
Azar..
O teu.
Tinha o mundo numa mão para te dar.

Patrícia Luz
25 de Maio de 2014
Mensagem a todos os amores 50% não correspondidos. 
ao som de snow patrol