terça-feira, setembro 16

A melhor maneira de viver


Domingo, 14 de Setembro de 2014

Os melhores momentos da vida são junto ao mar. 
E esta é a minha melhor maneira de viver. 

Patrícia Luz 

segunda-feira, setembro 8

Acerca do Festival F …

Lá naquele cantinho de pedra redondinho visto do céu, que beija a ria formosa a sul e conta mil e uma histórias em cada parede, teve lugar o I Festival F -escrever isto assim quase que me faz sentir orgulhosa; espero que haja muitas edições, para um dia poder dizer como “os grandes”: “ora, o festival F, aos anos que existe… ainda me lembro do dia em que escrevi sobre a primeira edição”(risos).

A vila adentro é dos lugares mais bonitos da cidade. Sei disso de há treze anos para cá quando lá fui pela primeira vez e me apaixonei. Nessa altura ainda os pais levavam as crianças aos museus – foi por esse motivo que lá fomos, lembraste mãe? – e as guitarras deixavam fugir uns acordes das tasquinhas perdidas nas travessas.

Sempre me fez uma certa confusão o silêncio daquele espaço nos últimos anos, o branco das casas sem sombras reflectidas de pessoas a passar de mãos dadas e a escrever histórias de amor pela calçada; as laranjeiras a sós com o azul do céu a contemplar os aviões que por ali passam, uns atrás dos outros. Os barcos que atracam vezes sem conta ali perto, sem que ninguém se dê ao luxo de pedir licença para entrar.  

Além disto, as únicas recordações que tinha deste espaço eram as capas pretas ao ombro dos estudantes; uns nostálgicos por estarem a deixar a casa que os acolheu durante alguns anos, outros orgulhosos por poderem entrar na família que é Faro. Sempre ao som das guitarras.

Agora não. Agora posso dizer que me lembro das cores do arco íris a fazer de pára-quedas do céu, das ruelas cheias de gente como não há memória. Da língua portuguesa a ecoar em todas as paredes e a música a encher aquele espaço de vida, histórias, amizade, amor, arte e cultura.

Queria por isso agradecer a quem teve esta ideia. Mas sobretudo ao idiota que pôs tudo isto em acção. Faro precisa cada vez mais de idiotas em acção.



Porque valeu a pena!

Patrícia Luz
8 de Setembro 



Nota. Artistas portugueses a cantar no seu próprio país façam o favor de falar com o público em português. Não sei, acho que ficava bem...

Nota 2. Sobre Capicua: A arte em português na voz de uma mulher. Top do inicio ao fim, passando pelas ilustrações e acabando nos cantos à capela!

Nota 3. Miguel Araújo, nem te digo a sorte que tiveste em actuar no palco Quintalão. O espaço deu outra magia à coisa; sem esquecer da voz da Luísa Sobral!

Nota 4. Tiago Bettencourt, um concerto menos rockeiro tinha ecoado melhor nas paredes na vila. Mas continuo a gostar muuuuito de te ouvir.


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Sobre nudez



«És uma miúda esperta e agora mostras que afinal és mulher e tens um rabo», como se uma coisa tivesse alguma coisa a ver com a outra; como se não tivéssemos todos o mesmo, salvo seja. Foi assim a última vez que engoli os sapos e fiz correr tinta sobre o tema numa das janelinhas do meu chat com um dos fotógrafos que colecciona rabos como a minha mãe pacotes de açúcar. E não, não pensem que a analogia foi propositada. (Quase todos os dias ela guarda um diferente.)


A sociedade em que vivemos faz-me rir. Se num dia somos muito evoluídos e estamos a deixar os estereótipos para trás das costas, noutro temos todas as bocas do mundo unidas para criticar este e aquele pelo que faz ou deixa de fazer na tentativa de ir contra aquilo que é aparentemente normal.


É assente nisto que me decidi a escrever. Há duas coisas que as pessoas precisam distinguir: arte e ordinarice. E apesar de não parecer à primeira vista, estas são duas palavras que quase podiam dar as mãos, mas nunca o fazem. E é mesmo aí, entre essas duas linhas paralelas que eu amo a nudez. No limiar do (in)aceitável.


Que se lixem os preconceitos, os estereótipos e o raio que os parta. Sou muito liberal quanto à opinião dos outros. É a opinião dos outros. Apenas. Só a do meu pai conta como se fosse a minha também. Não fosse ele o melhor dos meus melhores amigos, mesmo quando eu acho que não.
A maldade destas coisas está nos olhos de quem as vê.
Percebi isso no dia em que publiquei uma foto onde me vejo como sou: em casa, de bikini e pé descalço, com o sol a bater-me na cara e o mar ao fundo a reflectir-se nos meus olhos a um sábado de manhã, em que cinquenta por cento das pessoas, no mínimo, apenas conseguiu ver um rabo.
As mulheres são peritas nisto. Não, não é a falar mal da nudez. É a invejar a nudez das outras. Há uma certa segurança transmitida na nudez que incomoda muita gente. Especialmente quem não se sente bem consigo próprio.  
 Os homens não. São mais peremptórios. Eles permitem a nudez porque gostam. Mas dizem que não fica bem porque nem todo o mundo precisava ver aquilo que eles gostavam de ver a sós. 
Mentalizem-se que as pessoas são aquilo que carregam dentro de si.  
E isso, meus amigos, não se vê a olho nu.  
Patrícia Luz
8 de Setembro 2014
Ao som de Capicua.

E já agora, deixo-vos este exemplo disso!



Obrigada momi pelas fotos