sexta-feira, janeiro 30

Mulheres Bonitas

As mulheres bonitas sofrem. É verdade. Elas também são de carne e osso e tem coração a palpitar debaixo da pele, caso ainda não tenham reparado. Caso nunca tenham pensado realmente nisso. As mulheres bonitas também têm dores no coração, no trabalho e na vida. 
Ser bonita não é equivalente a ser de ferro e nem por isso tudo o que brilha é ouro, já dizia o ditado. 

Ser bonita dá chatices. Dá amarguras e desilusões. As pessoas tem a tendência a associar a palavra facilidade à beleza alheia. E se há coisa que não é fácil é ser-se agradável à vista. 

Ridículo não?

Não.

As raparigas bonitas nunca tem razões para estar tristes. Muito menos para se lamentar por não terem o homem com que sonham, quanto mais o facto de não terem um homem. Ser solteira será sempre uma opção delas. Nunca uma falta de sorte ou do homem certo. Não há trabalho que lhes escape, especialmente se o patrão for homem e tiver um fetiche por olhos claros e cabelos louros. Terem um curso superior não faz delas inteligentes nestes casos; as más línguas nunca terão em atenção o seu currículo para valorizar o seu trabalho. Estar desempregada é falta de vontade para trabalhar. Elas não choram, não se desiludem e quase sempre têm alguém com quem tomar café ou a quem mandar mensagem. O telefone delas toca a toda a hora. Mesmo que não toque. A cama nunca está vazia. Mesmo que ela trema de frio todas as noites. As saudades não existem. O amor é um estalar de dedos. E fidelidade é regra que não lhes assiste. São umas menininhas da moda que na primeira impressão quase nunca são humildes e as outras mulheres, as menos bonitas e as tão bonitas quanto elas, vão ter sempre a mínima razão para apontar o dedo e abrir a boca da inveja a tudo o que elas enaltecerem de melhor.  Os rapazes que gostam realmente dela, nunca querem realmente gostar. E os filhos da mãe que a tratam a baixo de cão vão quase sempre ter a sorte de a ter, mas só porque é bonita e dá que falar no balneário do desporto da moda. Mulheres bonitas não são de confiança. Metem medo. Medo a quem nunca as quer perder.  

Poucos sabem. Poucos sabem que as mulheres bonitas o suficiente para o ser de verdade, quase sempre são rotuladas pelo sorriso que não têm. Pela felicidade que a beleza não compra. Pela mensagens que não chegam. Pelas saudades que não matam. Mas que as matam a elas. Pelo proveito que não tem da fama que lhe dão.

As mulheres bonitas choram. Têm azares na vida. E ficam doentes. 

Porque mais do que belas, são pessoas. 
E têm sentimentos.

Patrícia Luz
30 de Janeiro

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quinta-feira, janeiro 29

100 000!

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Estou tão feliz por vos agradecer as cem mil visitas alcançadas hoje no blogue como quando chega a altura de ir para a casa da praia e permanecer lá sem horas nem minutos.

Podem ser só números que não interessam a ninguém, mas é o único sinal de que escrevo para alguém e só por si valem muito. Obrigada a todos os que directa ou indirectamente entraram na minha vida assim. Em especial àqueles que me escrevem, mesmo que em anónimo, porque mudam os meus dias cada vez que o fazem. 

Um grande beijinho de coração, 

Patrícia Luz

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quarta-feira, janeiro 28

Um dia o pano cai


«Não precisamos apagar a luz do próximo para que a nossa brilhe.» Mahatma Gandhi


Assistimos a um espectáculo que deixou de ter palco e plateia para passar apenas a ter actores. Actores das próprias vidas.
 Chego a perguntar-me com que sentimento se deitam todos os dias. Se alguma vez deixam cair a máscara e se se olham ao espelho. Se sabem realmente quem são e de onde vieram. Se choram pelas próprias tristezas, ou se apenas festejam o inglório infortúnio alheio com gargalhadas que os levam às lágrimas. Se sabem o que é o amor. A amizade. O respeito.  
Vejo infelicidade e alter-egos a mais dissimulados em pessoas vazias de si, mas cheias do que não são. Vejo deslealdade e caminhos demasiado atalhados para sucessos rápidos e esforços mínimos. Como não seria de esperar. Vejo uma sociedade desnutrida.
 A confiança perdeu pontos para as traições repetidas. E o amor ao próximo, foi à falência quando descobriu a carga que era caminhar na incerteza. 
Depois de perceber que havia mais actores do que encenadores, mais holofotes do que palmas,mais cenários do que palcos, sentei-me a observar. 

Um dia o pano cai.

Que haja alguém para contar a história.

Patrícia Luz

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