sexta-feira, fevereiro 13

Tipos de Pessoas

«A quem me deseja o mal, eu desejo o bem. Cada um oferece aquilo que tem.»

Há dois tipos de pessoas no meu dicionário. As que eu adoro e as com quem eu não simpatizo,  dispenso meios termos. Não odeio as segundas, nem lhes corto a oportunidade de me surpreender pela positiva - anseio que o façam; simplesmente não insisto em gostar delas. Ou do feitio delas. 

Respeito-as o suficiente. Ao ponto de me pôr sempre a mim em cheque primeiro. Respiro três e quatro vezes quando o feitio delas choca com o meu.

Acho que não devemos odiar pessoas. Faz-me uma ligeira impressão quem o faz e quem o diz. Nunca sabemos quando a nossa vida depende delas, quando trincamos o próprio veneno e morremos engasgados com o ódio que nutrimos pelos outros. 

Acredito que o que damos, é reflectido para nós em dobro. E como eu desejo muito bem à minha vida, não me preocupo em desejar o pior à dos outros. Contudo sei que nem todos pensam assim. A inveja transforma muitas pessoas aparentemente boas em atitudes que as desmascaram aos olhos dos mais atentos. E mal de mim e de quem me fez tão perspicaz. 

 Eu não odeio pessoas. Mas também não finjo não ouvir o que me incomoda. Não sorriu quando não acho graça. E não compactuo com quem perturba a minha paz emocional. Já lá vai o tempo. 
Pelo contrário, desejo o bem a todas as pessoas que me tentaram fazer mal por alguma razão. As que me tentaram passar a perna em algum momento da vida. As que me magoaram. As que sairam da minha vida antes de fazerem parte dela. Não me esqueço delas. Não deixo de lhes dar a mão. 
Porque aprendi ao longo dos tempos, que o bem é a melhor maneira de castigar quem usou todas as facas que tinha contra nós. O bem é a melhor solução para a guerra. O bem de verdade.

Chapadas de luva branca fazem bem ao mundo. E à consciência.

Há pessoas que parecem ingénuas. Há pessoas que parecem parvas.
Há outras que não se chateiam com nenhuma das pessoas que as fazem passar por ambas as coisas. 
Porque pessoas inteligentes o suficiente só se deixam comer quando querem. 

E muitas deixam-no vezes o suficiente para perceber o quanto não simpatizam com alguém.
Pessoas inteligentes tiram conclusões em silêncio. 

(Rezem por não conhecerem o dia em que decidirem fazer barulho.)

Patrícia Luz
13 de Fevereiro 2015

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segunda-feira, fevereiro 9

clicks

E se pudéssemos escolher gostar de quem gosta de nós?

Tenho um amigo que se pudesse fazia de mim a mulher mais feliz à face da terra. Acredito que todos nós já conhecemos alguém assim. Casava-se e tinha filhos amanhã. Ele reconhece tudo o que efectivamente sou. Fica estático a olhar para a minha boca a mover-se em câmara lenta e a observar o brilho dos meus olhos enquanto falo das mágoas da minha vida como se não fossem minhas. Dou por ele estupidamente parvo a olhar para mim enquanto como, a observar o meu modo desajeitado de pegar nos talheres quando não me sinto à vontade.  Ele conhece-me há pouco tempo e é como se me conhecesse há anos. Diz que falo com os olhos. E que sou suficientemente inteligente para não me querer levar para a cama de todas as vezes que me vê. Ainda que fosse esse o seu desejo. Apesar de nunca o conseguir.
Que sou osso duro de roer. E que isso inquieta os Homens como ele.
Já me ouviu durante algumas horas e falou-me da vida dele durante outras tantas. Acho que se estivéssemos ao telefone durante um ano, teríamos conversa para pelo menos mais três. Fizemos os programas mais improváveis juntos, alguns dignos de livro e nunca passou disso porque há amizades que nasceram para ser somente isso. 
Ele sabe quando estou triste. Envia-me mensagens aleatórias a desejar bom trabalho pela manhã e liga-me no final da noite para saber se estou bem, como correu o dia, o que vou jantar ou apenas para avisar que vai dormir. Estamos dias sem falar e meses sem nos ver. Ele liga-me para me falar de mulheres que o inquietam; de como tem saudades delas. E para me dizer pelo meio que se tivesse alguém como eu, daria este mundo e o outro para cuidar dela. 
Nós temos uma relação de amizade pura, mas estranha ao mesmo tempo, por não ser de igual para igual, ainda que o seja simultaneamente. 

Ele diz que sou diferente de todas as raparigas que já conheceu. E por saber que não me vai ter, deseja-me o melhor homem que imagina na cabeça dele.
Há dias ligou-me. 
Ligou-me para me dizer que me vê com alguém à altura. Um Homem a sério. De negócios, vestido a rigor, capaz de me passear para todo o lado de mão dada sem nunca a querer largar. Porque um Homem a sério vai saber dar-me valor e nunca me vai querer deixar fugir. Porque pessoas como eu, dizia ele, não se encontram ao virar da esquina.

No dia em que esse Homem me encontrar espero gostar dele o suficiente para ficar na minha vida, respondi-lhe. 
Nesse dia conto-to-te como é difícil não podermos gostar de quem gosta de nós e como estalar os dedos para que nos desse o click dava imenso jeito em muitas alturas da nossa vida. 

Patrícia Luz
9 de Fevereiro 2015 


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sábado, fevereiro 7

Coisas que não têm preço

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«O que importa não é com quem ficar sexta à noite, mas sim quem vai passar o sábado inteiro a seu lado.»



Podem-me tirar muita coisa. Mas quem me tirar estes dois tira uma grande parte de mim.
Não há quem me conheça melhor. Quem me tenha visto rir até perder o folgo e chorar da mesma forma. Não há quem tenha interiorizado as minhas mágoas e chorado com elas também. Incorporado a minha raiva ao ponto de querer destruir quem me destruiu. Não há com quem tenha melhores aventuras. E ninguém guarda os meus segredos além deles. Eles conhecem-me até de olhos fechados. Tê-los na minha vida é uma sorte.  Uma sorte tão grande como seria ganhar o euromilhões e talvez nem isso comprasse o valor deles. 

Posso não ter muitos amigos, mas tenho dois que valem por mil.
















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