domingo, fevereiro 5

| Your soul is the whole world



| Your soul is the whole world. 

Contento-me com coisas simples. O amor alimenta-me e o desamor corrói-me. 
Adormeço com mil sonhos todos os dias e acordo sempre que os pesadelos me dizem que não vou conseguir concretizá-los. Choro quando estou nervosa, mais ainda quando vejo injustiça ou ingratidão diante dos meus olhos. Choro quando estou feliz também. Não sou a melhor pessoa do mundo, mas tento ser a melhor versão de mim em cada dia que passa. Caio. Caio na maldade de acreditar que há pessoas boas. Ergo-me sempre, só para continuar a entregar o melhor de mim a cada uma delas. 
Não tenho segredos. As bochechas que coram não me deixam mentir. 
Gosto do mar. Em cada dia triste é ele que me limpa a alma. E em cada dia feliz é ele que a transforma em verão. Gosto do silêncio barulhento das ondas a latejar na minha cabeça sem norte. 
Sou criativa. Especialmente a fugir dos buracos em que a vida tem tendência para me enfiar. 
Acredito. Acredito que em cada dia, há mil e uma vidas a chamar por nós. E que nada, nada, acontece por acaso.
Não sou a melhor amiga do mundo, na medida em que não digo o que os outros querem ouvir. Não tenho perfil de lambe botas e chateiam-me os rebanhos em busca das luzes da ribalta. Mas se me pedirem um ombro, tenho dois para dar.  
Gosto de dar. Dou demais às vezes. O que não tenho, até. 
A minha vida são quatro paredes de ar, onde vive muito pouca gente. Mas gente muito boa. 
Sou livre. 

Um serão bem passado define-se por uma mesa rodeada de sorrisos, ou o meu albúm favorito a ecoar nas paredes do meu quarto em lusco-fusco enquanto chove lá fora. 
Sou de extremos. Gosto da melancolia das noites e da exaustão de não ter mais horas para viver os dias. Sou feliz e triste. Carente e insegura, certa de tudo o que tenho de bom. 

Tenho mil razões para não gostar da vida. E todos os dias invento outras mil para a adorar. Sou a prova de que quem vê caras não vê corações. 

Agradeço. Agradeço todos os dias a Deus as pessoas luz que coloca na minha vida em cada momento, mesmo sem que elas cheguem a saber que o são. 

Energias positivas atraem energias positivas. 

Your soul is the whole world.

Patrícia Luz
5 de Fevereiro 2017

segunda-feira, janeiro 23

- Bom dia. Amo-te!

- Bom dia. Amo-te!


Todos os dias quando acordo. 


Já não tenho jeito para declarações de amor. Às vezes acho que foi ele que me roubou as palavras todas que tinha guardadas para o dia em que me apaixonasse a sério, mas a verdade é que o meu pai me ensinou a deixar sempre para o fim aquilo que mais gostava e eu, feita parva, guardei as declarações de amor para vomitar no desespero de te perder. Mas depois quem me perdeu foste tu e por isso ficaram guardadas por mais um tempo.

Sabes, nós temos a mania de não deixar nada por dizer só quando já não podemos dizer nada. E eu, gostava de te dizer muitas coisas que penso, especialmente quando estás a dormir. 

Gostar de ti é uma merda. 
Quero começar assim para teres a noção que se não gostasse mesmo, já te tinha mandado à fava. 
Tirando isso, não me imagino a acordar todos os dias de outra forma. 

Acordar com a certeza que temos ao nosso lado a pessoa que Deus destinou para nós, dá-nos uma grande paz de espírito, sabes? E quando eu acordo todas as manhãs com a tua boca a respirar-me no ouvido, fecho os olhos só para os abrir de novo e ter a certeza de que estás aqui.  

Não tenho jeito para declarações de amor.

Prefiro deixar-te beneficiar dos quinze minutos extra na cama, nos dias gélidos de inverno em que sou a primeira a tomar banho. A levantar-me para ir buscar o comando da televisão de que te esqueceste na outra ponta da casa, na hora de a desligar para irmos dormir. Dormir despida, para poderes ter dez mil cobertores e eu não morrer asfixiada na sauna do teu pijama polar. Levantar-me para te aquecer a toalha de banho, nos dias em que poderia dormir em modo rocha até ao meio dia. 

Não tenho jeito para declarações de amor. 

Excepto quando o silêncio me ouve, enquanto te vejo dormir. 

Sou grata a Deus por te ter a abraçar a minha vida, todos os dias quando adormecemos - até mesmo quando não estás, até mesmo quando és um parvalhão. 

- Odeio-te! 
Há lá melhor declaração de amor.





domingo, janeiro 22

1,2,3 .. desta é de vez.


" O meu coração
Tem a mania de usar vírgula
Quando a gramática
E o cérebro
Dizem para o usar
O ponto final."


Que se lixe a gramática!

Quis perder um tempo a pensar como é linda a puta desta vida, para carregar energias suficientes para vos dizer como é madrasta por vezes também.
Não vou recuar no tempo. Nem tão pouco comparar-me a uma banal cómoda de quarto, arrumada por gavetas.
Que se lixem as gavetas e o que guardamos nelas. Afinal de contas só as voltamos a abrir quando quisermos, ainda que a roupa antiga permaneça por lá até que nos lembremos de nos esquecer dela para sempre.

Quis perder um tempo para o ganhar de novo.

Às vezes é preciso descer um degrau na vida, para voltar a subir dois, ou dez. Outras, precisamos tropeçar e cair a escadaria toda de uma só vez, para percebermos que não nos levará a lado nenhum ou que é exactamente lá em cima que queremos estar. 
Dói. 
Dói cair. Dói a desilusão. Dói. Dói desistir. Mas mais do que cair, desistir e descobrir a podridão do que nos rodeia, dói subir uma escadaria untada a óleo e sem corrimão, quando esse é o único caminho que nos vemos a percorrer.

Sozinhos. 

É ... o mundo gosta de conspirar a favor do logicamente correto, do caminho fácil, do "não te metas nisso" e do "depois não digas que não te avisei". Pior, do "eu não voltarei a estar cá".

Eu não.

Eu odeio regras. Odeio corações com lógica e caminhos fáceis. Odeio desistir daquilo em que acredito muito, daquilo que quero muito fazer. E é exactamente por isso que não desisto. É exactamente por isso que eu quero que o mundo se lixe mais as suas convicções pseudo-lógicas do politicamente correto e assertivo.

E sim, é por isso que vou sozinha mesmo, se for preciso.

Sorrindo e acenando, não era? Sorriamos então.

Que se lixe a gramática! 
Nem virgula, nem ponto final. 

Travessão. 
Para uma vida cheia de diálogos e entendimentos. E encontros nos desencontros. Amo-te.


Patrícia Luz
22 de Janeiro 2017