sexta-feira, janeiro 4

Um passeio por Viena | Dia 2


Nada como o video acima para fazer jus a algumas das coisas que vimos neste segundo dia de viagem a Viena. Confesso que o frio não me inspirou a tirar as mãos muitas vezes das luvas e bolsos. E por isso, filmar foi mais rápido e eficaz.

Conhecida pelos seus espectáculos de ópera, não quisémos visitá-la sem poder assistir a um. Por isso, ainda em Portugal, acabámos por reservar um pacote que nos dava também acesso à visita do Palácio de Schonbrunn, bem como a jantar lá.


Iniciámos a nossa manhã com um hot chocolate nas mãos em direcção ao palácio de Schonbrunn. Lá, fizémos o levantamento dos nossos ingressos pré reservados e seguimos para a entrada. É de referir que o palácio tem capacidade limitada de pessoas no seu interior e, por isso, é necessário respeitar a hora de entrada no ingresso. 
Como ainda faltava um pouco para a nossa hora, aproveitámos para dar uma vista de olhos no primeiro dos três mercadinhos de Natal que conseguimos  visitar em Viena. Por lá, várias peçinhas de artesanato, comes e bebes típicos, mas principalmente um frio de rachar, foi possivel experienciar. 

Chegada a nossa hora e sem perder tempo, refugiámo-nos nas salas majestosas do século XVIII e, graças ao audio-guia incluído também, pudémos apreender um pouco sobre a história por detrás de cada uma das enormes telas decorativas e utensílios lá presentes. A melhor parte foi que o pacote que comprámos incluia o "Grand Tour" pelo palácio e, desta forma, conseguimos visitar muitas salas que outros turistas não pagaram para ver. 

Posto isto, a fome apertava e como ainda tinhamos toda a parte exterior do palácio para visitar, nada como uma paragem para petiscar no mercadinho de natal. Provámos uma bruchetta de queijo e um género de bifana de salsicha (sim, vão rir-se ao ler isto, mas não estou a ver a melhor forma de explicar o aspecto daquilo, ahah!). 

O frio apertava e os aquecedores de rua estavam em overbooking. Não havia nem um cantinho para aquecer os pés. Ainda recorremos ao vinho quente para nos aquecer a alma, mas, pessoalmente - e para bom português, meia palavra basta -, o sabor era horrivel. 


Aqui, ainda ponderámos se iamos conseguir subir esta encosta para disfrutar da tão esperada vista lá em cima. Confesso-vos que a esta altura, apenas tinha os olhos fora do meu cachecol XXL e os meus pés pareciam pedras de gelo a andar... imaginem vocês onde?! No gelo!
A imagem a cima fala por sí. Acho que é possível ainda congelar a olhar para ela.



Contudo, quem sabe se não conseguimos voltar a Viena? Não podiamos perder esta vista! Quanto mais subiamos, mais frio sentiamos... o ar parecia ficar cada vez mais difícil de respirar.
Mas para vossa alegria, informo que no topo da subida têm à vossa espera um café típico Aústriaco onde podem reconfortar-se. Sim, porque não querendo ser desmancha prazeres, não se esqueçam que quem sobe, depois tem que descer.


Finalizado este percurso, era impossível pensar noutra coisa que não um banho a ferver. 

Dirigimo-nos ao hotel para descansar um pouco, pois às 18h00 tinhamos encontro marcado para jantar e, sendo inverno, anoitece cedo. Como os lugares esgotaram no palácio, fomos informados de que nos deviamos dirigir ao Hotel Marriot ali mais próximo (bastava atravessar a estrada). Lá, disfrutámos de toda a pompa e circuntância que um jantar pré opera merece. 


Seguidamente e sem demoras, dirigimo-nos à Orangerie do palácio, onde já se sentia toda uma aúrea glamourosa, elegante e muito educada. 
Deixados os casacões à porta, um cocktail dava as boas-vindas a quem aguardava a entrada na sala de espetáculo. 

Quando digo que fui à ópera existe sempre a mesma curiosidade: e o que vestiste? É preciso ir muito bem vestido?

Não. É apenas preciso um bocadinho de bom-senso. Ninguém vai assistir um concerto de fado de calções de ganga a mostrar o rabiosque, muito menos a uma ópera de fato de treino, certo?

Como vos disse anteriormente, o clima que se respira é de muita elegância e classe. E se vocês quiserem experienciar o verdadeiro espírito da coisa, nada melhor do que corresponder à etiqueta e indumentária. Mas se forem com uma roupa singela ninguém vos deixará à porta. A maior parte dos turistas visitam a ópera de forma muito natural e simples. E.. vá lá, às vezes basta uma maquilhagem para fazer toda a diferença (e, essa, não tem desculpas para não viajar na mala de medidas low cost). ;)



Em relação ao espectáculo, eu recomendo-o a todos aqueles que forem a Viena. 

Na minha opinião não é preciso ser um amante de ópera, basta sem um amante de música e cultura para disfrutar desta experiência. 

Para a maioria de nós, não é todos os dias que se tem o previlégio de poder assitir a um espétaculo deste género, por isso, acho que é uma experiência única para a vida.
Se sairem e detestarem, pelo menos poderão dizer com justa-causa: "Eu não gosto de ópera" e quem sabe até se não se auto-surpreendem. 

Além disso, este não é apenas um espetáculo de vozes fininhas e pontiagudas como se imagina quando se pensa em ópera. É, sim, um espectáculo harmonioso que conjuga dança clássica, contemporânea e música no seu estado mais puro da palavra.  

Para casar com tudo isto, um jogo de luzes aquece e envolve todo este ambiente. 

É de realçar que qualquer palavra proferida entre actuações, vai ser fuzilada pelos olhares dos verdadeiros amantes. O silêncio é imperativo!





E não, não tenham vergonha de tirar a fotografia que tanto anseiam no final do espectáculo. Mais de 50% da plateia terá vontade de fazer o mesmo e não o faz apenas por vergonha de quebrar a classe do momento, já que durante todo o espetáculo é impensável tirar o telemóvel para filmar à "cara-podre" pois, responsáveis de sala circulam envergonhando os mais atrevidos.
Mas no final... ninguém vos conhece. E posto isto, tendo eu dado o primeiro passo, muitos foram aqueles que me seguiram as pisadas.  

Todo este pacote custou 99€/pessoa e podem reservar aqui

Para finalizar este dia longo, gélido e de emoções inesquecíveis, nada como sair a porta da Orangerie do palácio et voilà!! ESTAR A NEVAR!! 

Juro, que fiquei louca de alegria por ver nevar! 
Não era a primeira vez, mas sei lá... acho que somos eternas crianças felizes com este cenário. 

Durante todo o caminho até ao metro, fui saltitando, a comer pequenos flocos de neve, equilibrando-me nos pequenos saltos altos para não cair. 


E porque a noite é uma criança, nada como um cocktail antes de regressar ao hotel num dos nossos café/bar/restaurante de eleição daí em diante em Vienna: o Caffée Latte. Recomendo este local para quem quer passar um agradavel serão de fim de noite, para comer uma sopa quentinha mas também pelo seu Brunch de Domingo que, apesar de não ter experimentado, parece ter uma boa qualidade-preço. Este espaço era mesmo ao lado da nosso hotel e, como tal, elegemo-lo quase como "a nossa sala de estar". 

Amanhã conto-vos, por fim, o meu último dia em Viena! Se acham que o frio ficou por aqui, esperem para ver! 

Um beijinho e boas viagens, Pat

sexta-feira, dezembro 21

Um passeio por VIENA | Aústria - Dia 1


 "THE WORLD IS A BOOK. THOSE WHO DON'T TRAVEL READ ONLY ONE PAGE."


Eu não sei quem o disse, mas não podia estar mais de acordo. 
Aquela frase cliché que diz que viajar é a única coisa que compramos e nos deixa mais ricos é algo que faz cada vez mais sentido no meu modo de estar na vida. 
Viajar e comer bem são as duas coisas que me fazem gastar dinheiro sem me arrepender, porque são duas coisas que contribuem exponencialmente para a minha felicidade e conhecimento. 
Quem não se atreve a conhecer novos lugares, novas línguas, outras culturas, ter novas experiências e lidar com contratempos, estará destinado à rotina fechada de uma mente sem asas para voar. E isso? Eu não quero para mim.   


Há algum tempo que quero ir a Viena de Aústria. 
Perguntar-me-ão porquê Viena, quando a maior parte das pessoas da minha idade ambicionam ir a Nova Iorque, Dubai ou qualquer outra cidade megalómana de estatuto WOW, que é como quem diz com uns quantos prédios grandes para caraças ao ponto de nem caberem na lente da máquina fotográfica, onde não se dorme por existir tanta coisa para fazer e beber uma garrafa de água é quase equivalente a comprar uma garrafa de Möet Chandon. E a resposta é fácil. 
Não tenho qualquer fascínio por cidades novas, sem sangue azul e peripécias históricas. E Viena, desde as aulas de Economia do meu 12º ano, que está a chamar por mim.

Na altura tinha uma professora apaixonada por ópera, ballet e música clássica. Ela passava para todos aqueles com quem falava desta cidade, a sua paixão. Chegava a ir passar o fim de semana à Aústria para assistir a espectáculos de renome. Aquilo ficou-me no sentido.
Viena deveria ser de facto uma cidade cultural fantástica. 

Também a minha mãe já lá tinha ido e me fazia comentários semelhantes, pois gostava de lá voltar. 
Andei a tentar programar viagem, para ir no no meu aniversário, pois nos últimos três anos já quase que se havia tornado tradição festejar este dia fora do meu país de origem (Açores, Roma, Paris). Contudo, estes foram planos adiados porque o meu trabalho me fazia correr a um ritmo alucinante, aproximava-se o natal...  e eu não estava certa se teria dias livres, nem disposição para ir viajar, tendo em conta o cansaço acumulado que sentia.

Foi o meu aniversário e eis que alguém se esteve a marimbar para isso e fez o que eu mesma devia ter feito: reservou a viagem, ofereceu-me de prenda dos 26 e "cá vai disto".

"- Voamos dia 13 de Dezembro.",disse.

O resto pouco importa.

Assim, começou este passeio.



O aeroporto de Faro tem vôos diretos e, por isso, foi quase à porta de casa que apanhámos o avião. Três horas e meia depois estavamos na capital Austríaca e dois dias depois, de regresso a Portugal. 
O tempo foi curto e por isso não conseguimos visitar tudo o que desejávamos, mas como já é habitual, trouxe o melhor para vos contar aqui!!!  Certamente será suficiente para vos lançar o bichinho de viajar até lá, espero! 

Viena foi eleita sete vezes consecutivas como a cidade do mundo com melhor qualidade de vida. Motivos como a qualidade dos serviços de saúde, educação, infraestruturas e estabilidade económica, estiveram no topo desta eleição. É ainda de realçar a baixa taxa de criminalidade que faz jus à sua vitória face a uma série de outras grandes cidades que competiam a par e passo por este lugar, tais como Paris, Londres e Nova Iorque. 

Querem mais motivos para ter interesse em lá ir? 

Ok. É dona do segundo maior rio do Continente Europeu, o rio Danúbio e, tem dentro dos seus monumentos megalómanos, ruas, estações de metro e até mesmo pessoas, a História, Cultura e Arte que imaginei na minha cabeça quando ouvia a professora de economia do 12º murmurar entre as licões do PIB per capita e as variações do salário mínimo mundial, o quão maravilhosa era esta cidade para sí. E já que falamos nisso, fiquem a saber que o salário mínimo na Aústria é de 1500€ tendo em conta 40 horas semanais. 




Chegámos por volta das 21h30 com um aviso - que nos lembrava como o alemão é uma língua realmente diferente -, de que a temperatura na rua rondava os zero graus celsius (antigamente, graus centígrados, para quem quiser aprender algo como eu aprendi agora). 

Breeeeeeeeee! 
Isso é sinal de que as fotos que vos vou mostrar nos próximos dias não vão dispensar um bom casaco, collants, meias duplas, luvas, cachecol e gorrinho. A parte menos boa de quem não é fã de andar enchouriçada, confesso.

                     

Posto isto, e depois de percebermos que de facto tinhamos chegado a uma cidade de infraestruturas à séria a medir a olhómetro o tamanho dos corredores do aeroporto, fugimos do CAT (um comboio rápido que liga o aeroporto ao centro de Viena - que custa desde 11€) e, inteligentes como fomos - modéstia à parte, claro -, apanhámos o comboio "normal" até à estação de metro mais próxima que custou apenas 2,30€ por pessoa. 
Por isso, para quem pensa viajar para Viena, este é o meu primeiro conselho. Esqueçam o CAT! :) 

Avistada a primeira estação de metro, eis que nos surge a primeira pergunta retórica: 
"Vamos andar de transportes públicos ou a pé?"

Habitualmente, em cidades europeias de geografia plana, optamos por gastar as perninhas e palmilhar tudo o que é rua com os olhos. O que eu aconselho vivamente, pois apesar de gastarem a sola dos sapatos e terem de fazer algum cardio ao pulmão, esta é a verdadeira essência de conhecer os cantos e recantos de uma cidade. Já para não falar que sempre mantemos o bolso um bocadinho mais pesado para o que der e vier por algum tempo (€). Na verdade, o tempo suficiente até encontrarem a primeira lojinha de souvenires (eheh).

Viena é uma cidade plana. Contudo, tinhamos dois dias, já com um programa mais ou menos delineado (usámos o site https://www.tudosobreviena.com/ e a App do Google Trips para isso - Recomendo muito!!) e se há coisa que não havia de sobra era o tempo. Isso, a juntar ao frio que já nos entrava pelas frechas das calças da moda, rasgadas no joelhos, vai lá vai! 

- Vamos de transportes! 

Voilá! É aqui que volta a lâmpadazinha mágica do pré planeamento de uma viagem, que nos diz que existem passes de 24h, 48h e 72h. E eis que o de 72h já viaja connosco no bolso (17,35€ por pessoa), rumo a ALSER STRABE, lugar do nosso hotel! 

Para todos os viajantes habituais, não é novidade dizer que, deixar a reserva de alojamento para último (tipo uma semana e meia antes de viajarem) não é de todo uma boa ideia! Os preços vão ser mais caros, pois a taxa de ocupação dos hotéis já mais elevada e, meus amigos, também aqui se aplica a lei da oferta e da procura. Assim, posso-vos contar que não escolhemos o melhor hotel do mundo, mas escolhemos uma cama confortável, com casa de banho privativa e a melhor localização que podiamos ter imaginado. Caso vão a Viena, recomendo-vos procurar algo na zona desta estação de metro. 

Ansiosos por saber o resto, tanto quanto nós estavamos quando finalmente deitámos a cabeça nas nossas almofadas?! 

Fiquem desse lado para saberem o que realmente interessa!

(...continua)

Patrícia Luz

quarta-feira, setembro 12

Primeiro dia de Aulas | Quem se lembra?

Tinha cinco anos, palmo e meio de altura. Menos de metade dos dentes e o cabelo cortado à menino, porque, diz o meu pai, fui eu que quis assim por solidariedade com o meu irmão, que não gostava lá muito de cortar o cabelo nas férias de verão. Não me lembro ao certo disto, mas lembro-me de ser feia como o raio. 

Se me perguntarem acerca dos últimos dias de férias antes de se dar inicio a jornada de estudante até ao que me tornei hoje, talvez  eu me lembre melhor e vos possa dizer como era divertido fazer asneiras no pátio da casa dos nossos avós. Porque depois disso, tudo foi uma correria entre férias e não-férias. 

Começou desde então a existir uma cronologia na nossa existência.  

 1º ano, 2º ano, turma do 5ºC, 10ºD. Os amigos daquele ano. Os do ano seguinte. Quando andava na escola de Pataias, quando afinal a da Penha é que era. Mas quem se pode esquecer da "Nova" ou dos tempos de Liceu? E a faculdade?

Antes dos cinco anos como se contabilizava o tempo? Pelas festinhas de aniversário na casa uns dos outros? Só pode.  

Com cinco anos eu entrei para a escola primária de Pataias e lembro-me como se fosse hoje, apesar de não recordar grandes pormenores. Tirando a Carolina, era talvez a mais nova da turma, como sempre fui, até à conclusão dos meus estudos. Um bebé atirado à vida. 

Como referi, não me lembro de muita coisa, mas lembro-me que não chorei. A minha primeira professora chamava-se Lurdes e era muito gordinha, tinha os cabelos curtos encaracolados e era muito querida. Quão lhe posso agradecer por hoje saber ler e escrever estas letrinhas que, juntas, formam palavras com algum significado. 

Lembro-me muito bem do Duarte. Com aquele ar reguila de pião de madeira que o pai lhe fizera debaixo do braço. Da Melissa que era a mais bonita da escola e da Jéssica, a minha melhor amiga desde o berço, quase. Da Vilma, a nazarena a quem roubava bolicãos e filipinos no ATL, do João a quem dava beijinhos na boca às escondidas nas traseiras da escola, do Flávio que era o vizinho da minha rua, da Vera que era a melhor aluna, do Hugo porque faziamos o mesmo caminho para a escola, da Carina, da Andreia, da Susana, do Nuno.... enfim! Acho que é impossível esquecer os nossos parceiros do abecedário e contagem crescente até cem, certo? 

Já nos conheciamos, a maioria, das aventuras do infantário. Das corridas de pneus ou dos carnavais vestidos de batmans e cinderelas,por isso, o primeiro dia de aulas não foi um choque. 

Lembro-me de estar entusiasmada por finalmente ir ter canetas e lápis novos. E de quando foi o momento de escolher o lugar na sala de aula, com os pais todos de pé ao fundo mais alarmados com a situação do que nós próprios! Lembro-me da mãe da Melissa de lágrima no canto do olho (ehehe). 

Lembro-me do abecedário colado na parede, com imagens de objectos a exemplificar cada letrinha. 
A - Abelha,
B - Boneco,
C - Cão,
D- Dado, 
E - Égua, 
F - Foca 

.... quem não? 

Lembro-me de acreditar que ia finalmente poder ensinar a minha avó a escrever bem o seu nome e a ler. 

Tantos sonhos. 
Tanta vida começou ali, naquele dia de Setembro de 1997. 

Quem mais se lembra do seu primeiro dia de aulas?  

Patrícia Luz
11 de Setembro de 2018