domingo, agosto 21

Odeio-te


Talvez a lua nos guarde.
Talvez o som do mar permaneça como o único barulho das nossas mentes, um dia.

Talvez não.

Quero ficar aqui.
A olhar o vazio da noite, embrulhada num cobertor velho, sentada no chão sujo com a tua cabeça no meu colo e a lua como candeeiro, neste penhasco de terra virado para o mar.

Quero ficar aqui.
No silêncio do fim do mundo.

Odeio-te.






segunda-feira, agosto 1

Molinum ad Mare










Entre a serra e o mar. Aqui tão perto, assim tão longe.
A paz na alma.
O silêncio.

A obrigatoriedade de falar baixo para não perturbar a ordem natural das coisas que nos rodeiam.

A música clássica a entoar nas paredes redondas.
O cheiro que paira no ar.

As cores.
O branco, o amarelo, o verde, o azul,

O Verão.
O calor, a brisa no ar. O sol a raiar as paredes, a queimar-nos o corpo,
a iluminar a nossa vida.

A simplicidade
Das pessoas, dos cães, das crianças...
Um modo de estar. Um modo de ser.

A essência de um lugar chamado Molinum ad Mare.







Podíamos simplesmente estar a sonhar com uma casinha de bonecas, daquelas que todas quisemos visitar quando éramos pequenas. Ou imaginar o refúgio dos filmes onde os romances secretos se escondem. Mas não.
O Molinum ad Mar existe mesmo. E completa a paisagem Algarvia na perfeição com as suas pequenas grandes histórias.






Com uma piscina panorâmica com o mar em plano de fundo, este é o cenário ideal para fugir do mundo. Descansar o corpo e a mente. Ler o livro a que ainda não conseguimos dedicar o nosso tempo. Deitarmo-nos na relva sem horas nem minutos. Ouvir o álbum que estreou ou o silêncio barulhento da natureza. Respirar ar puro. Pintar um quadro, escrever um livro. Fotografar.

Pensar.
Pensar em quem amamos, em que nos faz falta...

 Simplesmente viver.







Paralelamente ao moinho existe uma moradia com vários quartos que podem ser alugados. A mesma foi construída propositadamente num formato rústico de modo a permitir-nos revivenciar o verdadeiro Algarve. Toda a decoração foi pensada de modo a ilustrá-lo e por isso, todo o objeto tem o seu valor.

(Para quem me conhece.... não preciso de repetir o quanto gosto de decoração, certo?)


Gostava de deixar o meu agradecimento à Joana e à Renata por não deixarem projetos destes apenas nas suas cabeças. É com pessoas assim que me identifico e é de pessoas assim que me quero rodear.
Obrigada também por nos abrirem a porta de vossa casa de forma tão amável.

Fica mais uma dica para um fim de semana bem passado sem sair de portas.
Quem vai querer experimentar?

Um beijinho,




P.s Obrigada Rute pela companhia, atenção e paciência, tanto neste dia como nos últimos.

quarta-feira, julho 27

Something Better

« In the midst of winter, I found there was, within me, an invincible summer. And that makes me happy. For it says that no matter how hard the world pushes against me, within me, there's something stronger - something better, pushing right back.» Albert Camus

Ilha do Farol, 23.07.2016

(...) Umas horas antes sentava-me na mesa do café. Ele sorria. Partilhávamos o mesmo bolo de chocolate porque a ansiedade me tirava a fome e por muito que adore aquele bolo jamais o comeria sozinha.  A minha cabeça estava na china até ao momento em que nos sentámos. E o coração, nem sei se existia. 
Sentar-me ali fez-me parar. Assentar as ideias. Ter um momento lúcido no meio da felicidade embriagada que queria sentir. Da felicidade que me molhou a cara durante uma hora enquanto o mar me amparou a alma. Sozinha. Sozinha sempre... enquanto caia a noite.
Não são precisos soldados para combater a guerra de um coração morto. Não são precisas vozes a incendiar-nos o ego para que nos sintamos melhor. São só precisas lágrimas de desilusão e de raiva para que Deus oiça.

Sentar-me ali... sentar-me ali foi desligar da minha vida para ouvir a de um (des)conhecido que se queria desligar da dele também. 

«Posso beber um pouco da tua água?»

Os olhos não inundaram, mas a voz tremeu. 

O amor mata-nos. 

Não. 
O que nos mata são pessoas com falta dele.

Patrícia Luz