domingo, outubro 30

Mini-Férias | Évora

"O Alentejo é um mar de planícies, mas o mar que aqui se respira e nos hipnotiza é um mar de céu, um m'ar de estrelas, um M'Ar de AR"

Para quem me segue no instagram sabe que estive de mini-férias há duas semanas e meia atrás. Apesar de atrasado, não poderia deixar de fazer este post. Não só pelo quanto fui feliz, mas especialmente por adorar o alentejo em todas as suas vertentes. 

Mais uma vez, fui para fora cá dentro. Desta vez foi Évora o destino. 
E o Hotel M'Ar de Ar Muralhas a nossa casa. 








Durante estes dias as únicas condições foram não ter horários, não ter regras, relaxar, comer bem, passear e desfrutar tudo o que podíamos. Não houve roteiro turístico, não houve planos, não houve restaurantes pré escolhidos, nem nada que se parecesse .. fomos só ser felizes. 

Sabem, às vezes é preciso só isto. Ir e ser feliz. 






Não tivemos a maior sorte do mundo. Mas até isso deu o ar da sua graça aos nossos dias. 
Durante este tempo conseguimos viver as quatro estações do ano. Afinal de contas, estamos em Outubro e não há milagres.

Para terem ideia acordámos com nevoeiro cerrado, tomámos o pequeno almoço e voltámos a dormir. Acordámos com sol e fizemos piscina. Fomos jantar e voltámos a dançar debaixo de chuva. Ha lá coisa melhor?



Em relação aos restaurantes que frequentámos, gostaria de destacar o Restaurante São Luís, localizado próximo da praça do Giraldo, onde não podíamos ter comido outra coisa senão.. adivinhem .. comida regional alentejana, claro! 
Óptimo, óptimo, óptimo! 

Simples, comida deliciosa, serviço atencioso e simpático e, ainda, decorado à boa maneira rústica alentejana. Já nem vamos falar do vinho... 

Adivinhem de quem foi a escolha?



De seguida, continuamos a noite num pequeno bar muito giro numa das transversais à praça do Giraldo. A oficina. 
É caso para dizer que... fomos mudar o óleo, eheh! 



Évora é uma cidade imponente que todos deveriam visitar.
Além de respirar história por todo o lado, é bom reviver a áurea estudantil que paira pelas ruas transportada nas capas pretas que andam com os estudantes para todo o lado. 
As vozes do cante entoam nas paredes vindas de algumas casas. E os turistas desvendam toda esta mística de mapas em punho. 

Foram dias muito bem passados. Mal posso esperar por voltar! 
E voçês já tem planos para os próximos passeios? Mal posso esperar para vos contar os meus! 

Patrícia Luz
30 de Outubro 2016

sexta-feira, setembro 23

Global Chef Challenge 2016 | Celso Padeiro


Pois é. O que me traz hoje a escrever aqui é um tema completamente diferente dos habituais.

Há dias fui a Cascais em trabalho e aproveitei para fazer uns clicks no Hotel Grande Real Villa Itália para um projeto que estou a desenvolver.

Realmente o Celso não podia faltar na minha coletânea de fotos e então aproveitei esta oportunidade para fazer uma visita até à sua cozinha de eleição, onde passa horas a inventar a melhor forma de trazer todas as sensações gostativas para dentro de um simples prato.

Conversa puxa conversa... e entre o chocolate branco que afinal é verde, os rolinhos de caramelo enrrolados com amor à camisola e todo aquele arco-iris de cores enfiado num prato de sobremesa, fui-lhe tirando umas fotos, roubando uns macarons para avaliar se aquilo tinha ponta por onde se lhe pegásse e ...voilá!


Desvendar o meu projeto a meio é um crime que me sepulta a mim mesma, mas esta é a oportunidade que tenho para vos contar quem é o Celso e por isso decidi juntar o útil ao agradável aqui.

Podia começar por dizer que é quem fez o primeiro risotto que comi na vida, que é um dos nossos mega chefs dos Hotéis Real, ou um amigo que fiz o ano passado na tentativa de o ajudar, também num dos seus projetos.

Mas o Celso, além disso tudo é português.

E se, como eu, não sabiam que existem competições de cozinha assim como quem joga futebol, estão a ver? ficam a saber. O Celso é membro da selecção olímpica de culinária. 

Dentro de 24 horas começará o Global Chef Challenge 2016 (mais detalhes no site) na Grécia e o Celso está lá, entre os melhores do mundo, a representar o nosso país, a nossa casa e a mostrar o seu talento.

A competição é composta pela apresentação de quatro pratos - uma entrada, um prato de peixe, outro de carne e uma sobremesa.


Podem sentir-se sortudos por poder ver em primeira mão a sobremesa que o Celso irá apresentar e deliciarem-se com os olhos.

Boa sorte Celso, estamos todos contigo!

Patrícia

terça-feira, setembro 6

Enquanto esperamos o reboque ...

"Valham-me as estrelas." - pensei, enquanto olhava o céu encostada no capô do carro. 

Enquanto isso as luzes encadeavam-me. Os carros a alta velocidade passavam nas minhas costas. 
Nenhum parou. Ninguém se importou.
A lua fina em quarto crescente subia por trás de uma árvore que se distinguia no escuro da noite, semi iluminada pela velocidade das luzes - ou das vidas que os carros levam dentro.
E eu ali, parada numa autoestrada, a morrer de fome, com um colete reflector vestido, ainda de sapatos altos a fustigar-me os pés e sem previsão de hora para a chegada do reboque. 
Cinco minutos, 
dez minutos, 
vinte minutos, 
meia hora, 
uma hora ...

E as estrelas lá. 
As estrelas lá em cima a brilhar. 

A fé obriga-nos a questionar-mo-nos sobre o porquê das coisas.
E naquele momento questionava-me "Porquê a mim?"

Passaram mais alguns minutos.
Os carros continuavam a abanar o meu, onde me encostava, por consequência das altas velocidades a que ali passavam e eu acabei por me aperceber que nunca antes tinha visto o céu tão estrelado no algarve como hoje. O reboque tendia em não vir ...

Dei por mim ali, anestesiada, a apreciar aquele momento que aparentemente tinha tudo para ser infernal. E quando as palavras de suplicio dele me vieram à cabeça, quando me lembrei do quanto aqueles olhos castanhos fazem falta a olhar por mim, descruzei morbidamente os braços e olhei o céu uma última vez como quem implora forças divinas:

«Porquê a mim?» - entre dentes. 

Uma estrela cadente caiu.

Não pedi desejos. 
Espero que alguém os tenha pedido por mim. 

O reboque chegou. 

Patrícia Luz
5 de Setembro