sexta-feira, maio 11

Mais do que fazer

Não estou cá para perder tempo a corresponder a expectativas. Não quero ser nada do que não seja. Não quero tão pouco que contruam castelos à minha imagem. Construam cabanas e de palha. Não quero saber de quem fala de mim. Quero só que falem e que falem muito. Não fui feita para viver em gaiolas. Não fui feita para obedecer a regras. 
Escolhi viver de escolhas e não de chances. Optei por ser motivada e não manipulada. Ser útil e não usada. Sobressair e não competir. Escolhi o amor próprio e não a autopiedade. Escolhi ouvir a minha própria voz e não a opinião os outros. Não vim a este mundo para competir com ninguém. Quem quer competir comigo, perde o seu tempo. Estou neste mundo para competir comigo mesma. Ultrapassar os meus limites, vencer os meus medos, lutar contra os meus defeitos, superar dificuldades e correr em busca dos meus objetivos... e tudo isso já me ocupa bastante tempo! *


* Bruna Valente

sábado, abril 21

Aveiro | Já passeaste o teu avô hoje?

A vida vai passando por nós. 
O tempo vai fugindo e só quando nos apercebemos que algo já passou é que damos por nós a pensar sobre o que poderíamos ter feito e não fizemos. 

Com o passar dos anos fui perdendo pessoas de quem gostava muito. Todos perdemos. Mas eu nem me apercebi do quão importantes eram aquelas pessoas em específico e o quanto as devia ter mimado ainda mais. Quando era mais pequenina, nem dava valor ao valor que o tempo tinha. Ainda hoje é assim, por vezes. Há semanas que passam e nós nem damos por isso: tão depressa é segunda, como a seguir já é sexta e o tempo passou. Assim como depois vem novamente a segunda e não fizemos nem metade do que gostávamos de ter feito no fim-de-semana. Às vezes por preguiça, outras por tempo gasto em coisas desnecessárias, energias gastas com pessoas ou coisas sem energia, outras por desculpa: porque chove, porque faz sol, porque sim, porque não. 

É sobre o tempo que eu quero falar. 
Especialmente o que voa. 

O que voa sem que tenhamos as pessoas que amamos por perto. Sem que viajemos aos lugares que sonhámos, sem que tenhamos conhecido um estranho que vinha com o objetivo de mudar a nossa vida, ou aquele em que não brindámos com os nossos melhores amigos porque chovia e não apeteceu sair de casa. 

Mas especialmente do tempo em que não temos as pessoas que amamos por perto. Porque os lugares mantém-se lá, os estranhos serão sempre estranhos e os amigos, se forem de verdade, estarão lá também... porque apesar de tudo, teremos sempre tempo para a amizade.

Outro dia a minha mãe ligou-me. Ela é aquela pessoa que me esconde sempre que as coisas estão mal só para não me preocupar demasiado. Normalmente conta-me as coisas com os verbos conjugados no pretérito perfeito, do tipo "Ontem não estive muito bem, mas hoje estou", coisas assim. Mas no outro dia ela ligou-me e disse "O teu avô não tem estado muito bem" e aí eu dei por mim a preocupar-me a sério com o TEMPO.

Os dias passam e o meu avô está longe. E nesse momento eu dei por mim a pensar como o tempo tinha voado desde a última vez que o vi.
As prioridades diárias com o trabalho,com as prioridades que nem sempre são prioridade e afazeres que podíamos deixar para depois mas não deixamos, roubam-nos muitas vezes um tempo tão prioritário como aquele que nunca mais voltará atrás.

Foi por isso que tirei férias.
Tirei férias para deixar as prioridades para trás e ir viver um tempinho com o meu avô.

Nesse mesmo dia liguei-lhe. Quando ele me disse que ia desta para melhor, eu respondi-lhe que "com certeza que ia, porque eu ia de férias e íamos passear!!". No dia em que lhe liguei ele falou-me das dores de estômago que tinha e eu lembrei-o de me lembrar de comprar ovos moles quando fossemos a Aveiro. 

E fomos. 





 O meu avô é um máximo. 
E passear com ele é uma óptima ideia, algo que não me tinha ocorrido antes de me lembrar que o tempo voa e ele está a voar com ele.
Por ele está tudo bem. Desde que almoce há uma da tarde em ponto e cheguemos a casa antes de anoitecer, podemos passear pelo mundo inteiro.
Além disso, é fotogénico. E ao contrário de todas as pessoas que viajam habitualmente comigo... posso perder algum tempo a tirar-lhe fotos!! 





 Passeio sem almoçarada não é passeio, por isso gostava de recomendar a "Tasca do Sal" pela atenção para com o meu avô e pela excelente gastronomia (calma, ninguém me pagou para isto)! Apesar de ser tasca, nós não experimentámos os petiscos, mas os pratos principais estavam óptimos: Bacalhau á casa com camarão, Espetadas de lulas com camarão e Robalo escalado grelhado. Se o avô disse que estava óptimo, é porque ele sabe: são oitenta e oito anos a provar comidinhas boas. 




  E porque Aveiro sem uma visitinha à Costa Nova e à praia da Barra não seria a mesma coisa, cá viemos nós! Estas casinhas coloridas não podiam escapar a umas fotos para vocês. 

Este artigo ainda é sobre o TEMPO. 
Fi-lo não só para recordar para sempre este dia fantástico com o meu avô (e mãe), como para vos lembrar que o tempo está a voar enquanto vocês estão preocupados com coisas talvez desnecessárias, pessoas que vos fazem gastar energias sem retorno e actividades que nem sempre se vão traduzir em felicidade . 
O único tempo que merece a nossa principal atenção é aquele que é passado com as pessoas que amamos, a fazer aquilo que gostamos!

Não se esqueçam disso. Nem esqueçam dos vossos avós. 

Porque o meu ficou muito melhor depois disto. 
E os ovos moles? Por ele tinham vindo em dobro. Adeus dores de estômago.  

Um beijinho e bons Passeios, 
Sejam felizes HOJE!
Pat

segunda-feira, abril 9

Quer uma foto?

Eram umas oito da noite e começava a haver um ratinho no estômago a pedir-lhe comida.
A hora mudou e felizmente já é dia. 
Dores de cabeça depois de uma segunda-feira preenchida o suficiente para se ter esquecido de pôr algo a descongelar para o jantar. 
Esta coisa de uma pessoa se tornar adulta não tem piada nenhuma.
Se ninguém se lembrar por ti da roupa na corda, ela fica lá a ressequir ao sol... e com sorte comes ovos mexidos se pelo menos isso tiveres tido o cuidado de garantir no frigorífico. 

Ninguém sabe a que horas saíste, ninguém te garante o acordar se o despertador falhar, muito menos o jantar se te tiveres esquecido que jantar é importante no meio de tantas coisas mais importantes que tens para fazer. 

Ninguém merece crescer. Ninguém merece não ter ninguém que se preocupe. 

Trocou os saltos altos por umas botas rasas e confortáveis, o blazer por um casaco casual e lá foi jantar fora e a pé. Só para ter a certeza que os pés ainda tem coragem de pisar o chão depois de tantas horas sentada em frente a um ecrã que muito diz, mas nada fala.

Anoitecia. O vento frio do final de tarde fazia-lhe esvoaçar os cabelos enquanto descia a rua num andar firme e determinado. Por isso, apertava o casaco com as mão junto ao pescoço para não se constipar. Abril já não é o que era. E ela também nunca mais será. 

Malinha a tiracol e uma massa de frango na cabeça. Nada mais a preocupava. 

Sozinha. 

Decidida, fez o pedido; "Uma massa de frango pff, se possível com pouco azeite, Obrigada". 
Já lá vai o tempo em que nada lhe fazia mal. 

Depois de equipar o tabuleiro com os apetrechos básicos de jantar e efectuar o pagamento, sentou-se numa mesa ao fundo da sala a aguardar a vez da senha do seu pedido. Vários números iam sendo chamados, várias vozes iam sendo ouvidas em tom de fundo. Famílias, trabalhadores vindos directamente dos seus empregos, alguns idosos, algumas crianças a correr pela sala e ela, que se esqueceu simplesmente de pôr algo a descongelar. 

Assim que se senta, há uma sensação estranha de ser observada de alto a baixo. Desvalorizou. Pegou no telemóvel e fingiu que nada era com ela. 
Entretanto a visão periférica continua a manter a sensação de olhos postos no que está a fazer. Levanta a cabeça com certeza e olha em redor quando se depara com quatro indivíduos do sexo masculino - temos que lhes chamar assim, porque não há outro nome possível - especados a olhar para ela enquanto comem sabe-se lá o quê. 

Olhos postos no telemóvel novamente só para garantir que não havia rede naquele lugar e na expectativa de demonstrar que não era nada com ela, aqueles oito olhos mantém-se postos no que está a fazer.

Calma lá! Mas será que de uma banal rapariga que se esqueceu de descongelar algo para o jantar, passou a mobília de museu? 

Ao fundo gritam: "Senha 62 - Massa de Frango!"

Levanta-se. E os oito olhos percorrem todo o movimento. 

Não resistiu e em tom firme, perguntou:
" - Desculpem, os senhores por acaso querem uma foto? Sinceramente..." 

Foi buscar o pedido e sentou-se novamente no seu lugar. 

E cá vos digo, quem virou museu foi o prato onde comiam. Certamente nunca apreciaram tão bem a sua comida como hoje, sem coragem de voltar a colocar os olhos no que quer que fosse dela. 

Ser mulher não é ser objecto de apreciação. Dêem-se ao luxo de ser civilizados "indivíduos do sexo masculino a quem não sei que outro nome dar". Tornem-se HOMENS e honrem a vossa espécie.

Tirando isso a massa estava óptima! Diz ela.

Votos de um bom final de segunda-feira, 

Patrícia Luz 
10 de Abril 2017