domingo, dezembro 7

Lisboa, meu amor

Lisboa, 8 de Dezembro de 2014
00.52 a.m


- Tu és uma pessoa solitária, não és?
- Não. Eu sou uma pessoa sozinha que não deixa de viver as coisas boas da vida porque este, aquele ou o outro não pode, não quer ou não lhe apetece.


Esta manhã acordei cedo.
Não é que não me apetecesse dormir até ao meio dia, lutando contra os freixes de luz que o cortinado deixava entrar neste quarto onde agora repouso os pés cansados de tanto andar.
Foi a barriga a dar horas que me fez trocar o quentinho dos lençóis por um English Breakfast na companhia do meu iphone. 
Enquanto as torradas me preenchiam o buraquinho no estômago, simultaneamente os meus dedos corriam as redes sociais do momento em busca de nada, a não ser de ocupar os olhos. (Esta coisa de ocupar os olhos tem que se lhe diga. Especialmente quando sentes que tens mil pessoas a olhar para ti só porque és a única a tomar o pequeno-almoço sozinha num domingo de manhã.)

Pensei seriamente voltar a deitar-me. Mas depois de ofuscada com o dia solarengo de inverno que via do lado de lá da janela, era um crime fazê-lo. Liguei o computador e simultaneamente a algumas pessoas que não me atenderam o telefone; eu e a minha mania de acreditar que toda agente acorda cedo a um domingo.

Google. “Agenda Cultural de Lisboa”.
A única coisa que realmente me interessava era ir ver uns quantos museus que por ser o primeiro domingo do mês lá davam umas borlas ao pessoal, mas por sinal ficavam todos na conchinchina e acabaram por me fazer abortar o plano muito antes de o delinear. É que eu até gosto de aventuras. Mas as aventuras nos museus deixo-os para as séries televisivas da TVI.

Vesti-me e sai porta fora.
A melhor solução para resolver um dia de sol quando estiveres sozinho é assim mesmo. Primeiro que tudo sais porta fora e depois… logo se vê. Foi o que fiz.

E sabem que mais?
Depois de perceber que era das poucas pessoas a beber um copo sozinha num roof, a estar num miradouro a contemplar Lisboa, a subir até ao castelo de são Jorge, a percorrer as ruelas de alfama, a visitar a igreja da sé, a subir o Arco da rua Augusta e percorre-la de lés a lés, a desenhar num banco de jardim ou simplesmente a passear pelas ruas do chiado, tudo isto a pé, apercebi-me do quanto gosto de mim.  Apercebi-me que realmente é preciso coragem para ser uma amante da vida a sós.

Apercebi-me que só pessoas assim podem estar dispostas a gostar realmente de alguém. Porque esse alguém nunca será a calçadeira para o sapato. Mas sim a graxa para lhe dar brilho. 

E é apenas a falta de pessoas assim que me faz correr Lisboa de mãos nos bolsos, quando parece que não faltam mãos para se dar.

Patrícia Luz 










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